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Ribeirão Pires

Cidade que sedia fábrica de munição está dividida

Um dos menores entre os 39 municípios da Grande São Paulo, Ribeirão Pires vai dividida à urnas no referendo sobre o comércio de armas e munição no próximo dia 23. Sede de uma unidade da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), que fabrica munição civil, policial e militar, a cidade de 115 mil habitantes não sabe o que pode acontecer com a empresa caso o resultado do referendo proíba o comércio de armas e munição no país. Na entrada e na lateral da fábrica da CBC há faixas em defesa do NÃO no referendo.

Um exemplo dessa divisão são as opiniões do prefeito Clóvis Volpi (PV), que defende o NÃO, e do delegado da Polícia Civil, Edson Gianuzzi, que vota no SIM. O prefeito pensa na contribuição financeira da CBC para Ribeirão Pires, o delegado argumenta com questões técnicas sobre o porte de arma.

Volpi não pode desconsiderar o R$ 1,5 milhão com que a fábrica de munições reforça os cofres municipais, cuja arrecadação deste ano é de R$ 70 milhões. Só de IPTU, a CBC paga cerca de R$ 100 mil por ano. A parte maior do bolo sai de repasses do ICMS. Vizinhos que trabalham lado a lado, o garçom Luciano Gonçalves e o açougueiro Roberto Gliosi, o Betão, concordam com o prefeito.

- Desarmar a população não é a solução. O bandido vai continuar armado, e a população indefesa. Não tenho arma, mas tenho vontade de ter - diz Betão, que tem um filho e uma filha trabalhando na CBC.

No comando de um quiosque de doces no supermercado a 150 metros da CBC, Monalisa Lima é defensora do SIM. Ela não concorda com o argumento de que é preciso garantir os empregos votando no NÃO:

- Mais importante que o emprego é a vida, que a gente só consegue manter com menos violência e menos armas.

Segundo a CBC, uma sociedade anônima de capital aberto e com ações negociadas em bolsa, a receita bruta com a venda de munição foi de R$ 223 milhões. Da produção, 50% são destinados à exportação, 35% a instituições militares e policiais e 15% ao mercado civil, para pessoas com armas em casa.

A principal unidade de produção da CBC, fundada em 1926 por imigrantes italianos, é a de Ribeirão Pires, que produz munição civil. A empresa não permitiu a entrada do GLOBO na fábrica. Há outra unidade em Montenegro (RS), que faz armas longas e cartuchos para uso esportivo. As duas fábricas empregam 1.200 pessoas. A empresa exporta para 57 países e está investindo US$ 13 milhões no biênio 2004/2005 na expansão das linhas de produção de munição militar para exportação.

O presidente da CBC, Antonio Marcos Barros, diz que, apesar das faixas, a empresa não está participando do debate sobre o desarmamento.

- A CBC não está participando dos debates do referendo porque acredita que, neste momento, os agentes políticos e os cidadãos são os atores fundamentais do processo. A empresa vai aguardar o resultado do referendo para tomar uma decisão estratégica, sabendo, no entanto, que prevalecendo o SIM, poderá haver diminuição de produção e de funcionários e o aumento das vendas para o mercado externo - disse Barros, por meio de sua assessoria.

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