
Um estudo divulgado recentemente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a Ernst&Young, estima que a China chegará ao posto de segunda maior potência do mundo até 2030 ficando atrás apenas dos Estados Unidos. O ritmo de crescimento do país o "crescimento chinês", que virou sinônimo de desempenhos expressivos tem feito muita gente apostar que vêm aí grandes oportunidades de negócios. E é de olho nestas oportunidades que muita gente está incrementando o currículo com aulas de mandarim a língua oficial da China desde 1989 apostando em uma demanda que deve crescer entre as empresas daqui.
O Centro de Línguas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) oferece o curso de chinês desde 2002. Na época, eram apenas 8 alunos. Hoje são mais de 200 e uma equipe de 9 professores, todos nativos. "O número de alunos só não é maior porque não temos estrutura", conta a coordenadora do curso, Regina Darriba.
A maioria deles, diz a coordenadora, procura o curso por questões profissionais. "Muitos deles já foram para lá e sentiram dificuldade em negociar." A mesma impressão tem o sócio-diretor da escola NetLinguae, José Ricardo Martins. A instituição tem 7 turmas de mandarim, além de alunos que fazem aulas particulares. "No começo as pessoas procuravam por curiosidade. Hoje a questão é profissional. Também temos alguns alunos estudantes, que querem se diferenciar."
O gerente da área de impressoras da Bematech, Álvaro Venâncio de Paula, começou o curso há dois meses. A empresa, que tem sede em Curitiba, mantém uma unidade na Ásia e, por isso, o contato dele com os orientais é freqüente. "Não é tão fácil falar em inglês com eles. Aprender a língua é uma forma de melhorar a comunicação", diz. "Além disso, é uma maneira de mostrar para eles que você tem interesse pela cultura do povo. O que é muito importante porque, para os chineses, o relacionamento, mais do que o contrato em si, é muito importante na hora de fechar negócio."
Para o consultor de carreira do Grupo Catho, Renato Waberski, o mandarim é sinônimo de boas oportunidades para a carreira. "A procura tem crescido e pode ser um diferencial importante para o currículo." Mas ele faz um alerta: isso só vale para quem já tem conhecimento de inglês ou espanhol. "Escolher o mandarim como segunda língua vai limitar demais. É preciso ter conhecimento de outra, mais abrangente."
Cultura
O entendimento da cultura chinesa, conta Regina, do Celin, também é parte importante dos cursos de mandarim, principalmente em se tratando de um cotidiano bastante diferente do brasileiro. "Algumas coisas são muito estranhas para nós. É difícil entendermos como as pessoas comem carne de cachorro ou barata. Mas temos que pensar do ponto de vista deles, de um país tão populoso, que precisa se alimentar."
Aprendizado
O mais complicado para quem quer aprender, dizem alunos e professores, é a entonação uma mesma palavra pode ter escrita semelhante mas, conforme a entonação que se dá, o sentido muda totalmente. Além disso, é preciso conhecer e aprender a desenhar os ideogramas. "Para o ocidental é muito diferente. Não há parâmetro de comparação", diz Martins, da NetLinguae. "Mas o mandarim proporciona uma ginástica mental, porque exercita os dois hemisférios do cérebro."
Na NetLinguae, o curso é dividido em 13 fases (equivalentes a semestres). Para os estudantes, o custo é de 10 parcelas de R$ 133 e, para profissionais, 10 vezes de R$ 188. No Celin, o semestre custa R$ 385.
Serviço:
Centro de Línguas da UFPR: www.celin.ufpr.br, telefone (41) 3254-8715. Net Linguae: www.netlinguae.com.br, telefone (41) 3243-9530.



