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Agir por impulso após uma falha pode ser mais prejudicial à carreira do que o  próprio erro cometido. | Bigstock/
Agir por impulso após uma falha pode ser mais prejudicial à carreira do que o próprio erro cometido.| Foto: Bigstock/

No ano passado, um professor da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, criou um currículo às avessas. Em vez de expor seus êxitos na carreira ele enumerou cada um de seus fracassos. A ideia de Johannes Haushofer era mostrar que seus ensaios rejeitados foram tão fundamentais para sua vida profissional quanto qualquer ação bem sucedida.

Pouca gente lida tão bem assim com as falhas, mas, convenhamos, o assunto é mesmo complicado. Principalmente dentro de organizações nas quais o erro é visto de maneira punitiva, o que, para a coach e professora da Estácio Curitiba Erika Gisele Lotz, é altamente nocivo – tanto para o funcionário quanto para a organização.

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Na mesma linha de Johannes, a especialista defende que a falha precisa ser encarada como uma ponte para o aprimoramento e não como algo a ser condenado no calor dos acontecimentos. Uma abordagem pautada no mero castigo raramente culmina no desenvolvimento do trabalho e ainda cria uma cultura de medo e repressão no ambiente corporativo. “Não existem fracassos. O que existem são resultados que podem ser bons ou ruins. Se aquele resultado não é o que planejei é porque algo precisa ser trabalhado”, defende.

Errar faz parte

É por isso que, na visão de Erika, o que uma pessoa não pode fazer quando erra na empresa é começar a se culpar demais ou se colocar na defensiva, expondo mil argumentos para a falha, chegando até a envolver terceiros na história. “Errar é doloroso. Então, assumir o que foi feito é um ato de coragem e não o contrário”, diz.

A professora orienta que assim que identificar o erro, o indivíduo assuma o problema e olhe para si mesmo como alguém que ainda tem o que melhorar. Na hora de amenizar a frustração, é importante não focar nas justificativas para ter feito ou deixado de fazer algo que culminou no erro. Apenas tome a situação como caminho para crescer pessoal e profissionalmente.

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A autoanálise e a persistência costumam dar certo. Em algum momento de suas carreiras, figuras como Steven Spielberg, Oprah Winfrey e J.K. Rowling erraram feio, mas não deixaram se abater e hoje são quem são. “Mesmo se for punido pela empresa, jamais se enxergue como um perdedor. O erro faz parte da vida”, orienta Erika.

Jogo de cintura

Não se render ao sentimento de culpa e entender que erros acontecem é um processo lento e difícil, mas decisivo na maneira como você se portará frente ao seu superior depois da experiência desastrosa. E este é um ponto extremamente crítico. A coach Ligia Rosenstein explica que muitas vezes a reação da pessoa que falhou desencadeia resultados tão ou até mais negativos que o próprio problema.

Aquele que pede desculpas demais é um exemplo. Quando se justifica de maneira exagerada, acaba saindo do âmbito da solução para orbitar em seus próprios impulsos. Assim, esquece de pensar no que pode ser feito dali para frente – seja para se melhorar como profissional, seja para solucionar o caso. “Dizer o quanto você lamenta não vai mudar muita coisa, mas o seu senso de urgência em segurar a barra fará toda diferença”.

Além disso, a impulsividade é inimiga da perfeição, segundo a coach. “Uma pessoa que manda um email sem anexo e não pensa duas vezes para enviar outro logo na sequência tem grandes chances de esquecer de novo de anexar o arquivo”, exemplifica.

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A primeira dica da consultora é tentar se acalmar e pensar objetivamente no momento em que perceber a falha. Depois, pense na empresa em você trabalha, no seu gestor. Como os erros são recebidos ali? É possível marcar uma reunião com o chefe? O diretor estaria aberto para te ouvir? Se a questão exige urgência, você tem autonomia para tentar resolver tudo sem precisar avisar seu superior? Para Lígia, estas respostas direcionarão você a uma ação madura.

O que não se deve fazer é deixar o problema de lado. “Não dá para ser nem tão quente, nem tão frio”, diz Ligia. E ainda que você saiba que se assumir pode te levar a uma demissão, seja sincero e, mais do que isso, resolutivo. “Se você sai da empresa tendo deixado maneiras de reparar ou corrigir a questão, suas chances de construir uma imagem positiva no mercado lá fora é muito maior”.

Momento crítico

1. Você vai se desesperar quando identificar o erro. Espere a raiva passar, não aja sob pressão.

2. Com calma, lembre do perfil do seu chefe, da cultura da empresa para medir até que ponto você tem autonomia para resolver o problema sozinho, caso se trate de algo mais urgente. Pense também na melhor forma de contar o que aconteceu.

3. Sem a menor impulsividade, chame seu superior para conversar. Vá para a reunião com ideias de soluções ou reparos para o que houve.

4. Peça desculpas apenas uma vez e não perca tempo expondo suas justificativas. Mostre que, sim, você errou, mas está focado na solução do problema que você causou.

5. Reflita sobre o que aconteceu. Que lições isso pode trazer para sua carreira? O que pode ser feito de maneira diferente da próxima vez?

6. Não fique remoendo a culpa. Aceite que você pode falhar e teve a oportunidade de perceber competências que precisam ser aprimoradas.

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