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Administração a distância

Longe dos olhos do dono, mas controlada de perto

Com tecnologia, gestão competente e criatividade, empresários têm conseguido manter seus negócios sob controle e extraído bons resultados, embora não estejam presentes 100% do tempo – ao menos fisicamente

Diz o ditado que é o olho do dono que engorda o leitão – mesmo quando o dono está a centenas ou milhares de quilômetros de distância. As novas tecnologias da informação e das comunicações estão oferecendo aos empresários a chance de manter os negócios sob controle em tempo integral, até quando eles estão fisicamente longe das suas empresas.

O caso da escola de inglês Phil Young’s English School, de Curitiba, é emblemático. O proprietário, o norte-americano Philip Michael Young – o Phil –, não pisa no Brasil há 12 anos. De sua casa em Jacksonville, no estado da Flórida (EUA), ele administra as seis escolas da rede – cinco em Curitiba e uma em Joinville (SC). E a participação dele não se resume a receber relatórios e delegar tarefas: Phil faz reuniões diárias com funcionários e professores, está disponível em tempo integral para conversar pelo computador e, de um tempo para cá, começou também a dar aulas de inglês. Tudo pelo Skype, programa que possibilita conversas de voz e vídeo pela internet.

As conversas pela internet também são frequentes na Master Comunicação, rede curitibana de agências de publicidade – com escritórios também em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Grande parte das reuniões internas da Master é feita dessa forma, e a empresa nem sequer investiu em salas para teleconferência. "Hoje cada um abre o seu laptop e faz a reunião da sua mesa. O vídeo ajuda você a mostrar desenhos, caminhos criativos e a demonstrar conceitos", avalia Marcelo Romaniewicz, vice-presidente de planejamento e atendimento.

A tecnologia, diz ele, é o primeiro pilar de um tripé que sustenta a gestão da rede, mesmo sem a presença física de sócios e presidentes em todas as agências. O segundo pilar é o investimento em recursos humanos – pessoas que possam cumprir tarefas sem a supervisão dos principais executivos da empresa. O terceiro e último fundamento são as reuniões presenciais, que ainda são bastante necessárias principalmente com clientes.

Para Philip Young, a qualidade da equipe que o ajuda a administrar as escolas faz toda a diferença. "Você precisa confiar na sua equipe, mas também quando está presente. E é melhor você ter uma reunião a distância entre duas pessoas humanas do que presencialmente com pessoas ‘desumanas’", acredita. "E hoje eu faço mais reunião do que antes. Eu sou melhor administrador agora do que há 12 anos", avalia Phil.

"É uma questão de costume, é uma barreira psicológica", diz o professor Igor Dermanovic, acostumado a conversar diariamente com Phil pela internet. "Acho até que, a distância, é possível ordenar as coisas por prioridade", completa. Em breve, Igor e Phil darão aula juntos – um em Curitiba, o outro na Flórida. "Todos gostam de falar com o velho de barba branca que tem o nome da escola", diz Phil. O cachorro, Jango, é presença obrigatória ao lado do professor nos monitores instalados nas salas de aula.

Para o professor Maurício Stunitz Cruz, coordenador-adjunto do curso de Administração de Empresas da Universidade Positivo, a gestão a distância não é novidade, mas a tecnologia tem propiciado ganhos de qualidade nessa tarefa. "A tecnologia da informação oferece ferramentas em vários níveis para que você faça o acompanhamento e a gestão efetiva de um negócio", avalia. Desde a troca de e-mails com um gerente até a implementação de softwares de gestão que permitam o acompanhamento de tudo o que ocorre num empreendimento.

A boa notícia, diz ele, é que há tanta variedade de oferta que até pequenos empresários podem fazer uso de softwares que ajudem na gestão de um negócio a distância. "A questão de escala desapareceu. Ela existia até uns dez anos atrás. Hoje há softwares de gestão ‘escaláveis’, que podem atender a um HSBC, por exemplo, ou a uma empresa de 50 a 100 funcionários".

Ele lembra, no entanto, que, para ser bem administrado, um empreendimento precisa de pessoas competentes. "Tecnologia é ferramenta. Ela nunca é um fim, é um meio. Você precisa ter boa tecnologia e pessoas capacitadas a usar de forma eficaz essa tecnologia."

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