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Negociação

Na hora de pedir aumento mostre suas qualidades

Pensar como empresário ajuda a definir a sua estratégia ao negociar um reajuste salarial. Pensar como o amigo do chefe só atrapalha

Rostein Batista e Lessandro Bonato aceitaram novos desafios para conseguir um reajuste na empresa em que trabalham. | Henry Milleo/Gazeta do Povo
Rostein Batista e Lessandro Bonato aceitaram novos desafios para conseguir um reajuste na empresa em que trabalham. (Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo)

Chega um momento em que as despesas apertam e o salário já não parece tão atraente como antes. Ao mesmo tempo, a empresa vai bem e o funcionário considera que seu rendimento no trabalho é mais que satisfatório. Talvez seja a hora, então, de encarar a chefia e pedir um aumento. Mas como proceder? Primeiramente, é preciso superar o medo e lembrar que essa é uma conversa profissional como qualquer outra e não é tão delicada quanto parece.

Mas não existe uma regra básica a ser seguida na hora de pedir o reajuste. O que existe, e de sobra, são argumentos que devem ser evitados, explica Luciano Salamacha, professor de estratégias de empresas e planos de negócios da Fundação Getulio Vargas (FGV). Ele recomenda nunca misturar questões pessoais ou apelar para a amizade com o chefe – o que indica falta de profissionalismo. Outra dica é não falar em problemas pessoais, alegando que vai se casar ou que o filho está doente, por exemplo. Nesses casos, diz o professor, é como se você pedisse que a empresa resolvesse a sua vida. Também é errado, mas muito comum, comparar o próprio salário com o dos colegas.

"Merecer o aumento deve ser uma conquista individual do profissional", afirma Salamacha. A estratégia correta, dizem os especialistas, é pensar no aumento do ponto de vista da empresa, e não do empregado. O grupo em que você trabalha precisa perceber que sai ganhando tendo você como funcionário.

O diretor administrativo da rede MM MercadoMóveis, Marcos Camargo, já se deparou inúmeras vezes com empregados insatisfeitos com a remuneração que recebiam. Para ele, o grande trunfo na hora de pleitear um aumento é falar sobre a carreira e o valor que o profissional agregou à empresa. Ganhar mais, diz Camargo, deve ser encarado como consequência de uma evolução profissional, e não como um estimulante de esforço. "Existem os funcionários pré-pagos, que querem ganhar antes de trabalhar, e os funcionários pós-pagos, que mostram bons resultados antes de pedir um aumento", compara.

Rostein Mendes Batista, que hoje é assistente de controladoria na MM MercadoMóveis, adotou a estratégia positiva. "Meu argumento se baseou na minha produção e no conhecimento adquirido dentro da empresa", disse ele, que, para conseguir o reajuste, aceitou também assumir novas responsabilidades.

Demissão

Quando o profissional julga que a empresa não reconhece o seu valor ao recusar o pedido de aumento, mudar de emprego pode ser uma saída. Porém, é preciso ter cautela. Muitos profissionais se esquecem de mensurar os benefícios indiretos que a empresa oferece, como plano de saúde, ambiente de trabalho agradável ou perspectiva de crescimento. Contando essas vantagens, talvez o salário menor ainda valha a pena.

Lessandro Bonato, por exemplo, deixou a própria empresa de consultoria para investir na carreira, e aceitou ser contratado por uma empresa ganhando menos do que antes. "Aqui dentro existe espaço para crescer", diz ele. Depois de seis meses no novo emprego, já conseguiu aumento e uma promoção.

Vale lembrar que estar fora do mercado de trabalho reflete uma vulnerabilidade do profissional. "A condição mais favorável na hora de buscar um novo emprego é estar empregado", afirma Salamacha, da FGV.

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