
Lideranças industriais têm experiência de sobra nos segmentos em que atuam, mas é comum que ignorem a realidade de outros ramos, mesmo aqueles profundamente conectados à sua atividade. Vários sindicatos patronais do estado não contam, por exemplo, com uma assessoria econômica que estude a fundo as características do mercado o que, naturalmente, pode ser um obstáculo para o crescimento da indústria. Esse quadro pode começar a mudar nos próximos meses, quando 14 jovens economistas recrutados pelo Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) começam a fazer um mapeamento de 32 cadeias produtivas paranaenses.
Com inscrições abertas até o próximo dia 19, o programa "Novos Talentos para a Indústria", que tem o apoio do Conselho Regional de Economia (Corecon-PR), vai selecionar 14 profissionais formados em Economia a partir de 2002. Durante 12 meses, eles vão trabalhar como residentes-técnicos em desenvolvimento industrial no Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), em Curitiba, recebendo bolsa-estágio de R$ 900 mais benefícios. Ao mesmo tempo, vão participar de um curso de mestrado com aulas ministradas por professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
"Normalmente, os cursos e especializações formam profissionais para trabalhar em empresas ou, eventualmente, em órgãos ligados ao governo federal. Mas não há quem forme economistas para trabalhar na representação setorial. É um tipo de profissional que não existe pronto no mercado", diz o economista Gustavo Fanaya, coordenador do programa. "A maioria dos sindicatos não tem uma assessoria permanente para dar suporte técnico aos líderes empresariais, que sabem defender o interesse da indústria mas nem sempre podem montar bases de dados, analisar informações do mercado ou mapear cenários econômicos."
A intenção da Fiep é que os residentes sejam contratados por sindicatos patronais ao fim do curso e, de certa forma, se tornem novos "fanayas". Isso porque, ao longo de 22 anos, o coordenador do programa trabalhou no Sindicarne (representante dos frigoríficos paranaenses) e contribuiu para que o sindicato fosse um dos mais bem-informados do estado, como pode atestar qualquer pessoa que já tenha buscado detalhes sobre os meandros da indústria da carne. "Com a contratação desses profissionais, a indústria paranaense, principalmente as pequenas e médias empresas, conhecerão detalhes a respeito de sua atuação que ainda hoje são obscuros."
O projeto, diz Fanaya, é pioneiro no Brasil, e será acompanhado de perto por instituições como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), para que possa ser replicado em outros estados. Como serão 14 profissionais para 32 cadeias produtivas, cada um ficará a cargo de pelo menos duas cadeias. "Esse número limitado de vagas se deve à densidade do programa de capacitação, que vai exigir uma atenção muito grande para cada um dos residentes. Mas este é apenas o primeiro programa, e certamente teremos novas edições todos os anos."
Serviço
As inscrições para o programa vão até 19 de setembro. Os interessados formados em Economia a partir de 2002, com registro profissional devem enviar seus currículos para o e-mail ection@swi.com.br, escrevendo "Residência Técnica Indústria" no campo "assunto". Mais informações no site www.ibqp.org.br



