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Quadrinhos desmistificam profissional “super-herói”

Sob o Signo da Sombra questiona escolhas de profissionais que assumem mais tarefas do que são capazes de executar

Personagem central da história é um líder que prejudica a própria carreira ao jamais expor fragilidades | Reprodução
Personagem central da história é um líder que prejudica a própria carreira ao jamais expor fragilidades (Foto: Reprodução)
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Com experiência em coaching, psicologia, potencialização de talentos e gerenciamento de equipes, as coaches Jo Pavezi e Adriana Ferrareto desenvolveram um projeto para retratar o reflexo dos tormentos do ambiente corporativo no comportamento das pessoas, que se sentem "super-heróis" e assumem mais tarefas do que podem executar. Diante da vastidão de livros na área de coaching, o desafio da dupla era inovar. E nada melhor do que retratar o tema por meio de uma graphic novel, espécie de história em quadrinhos – que, afinal, é de onde saem os super-heróis.

Inspirada no conceito de sombra do psicoterapeuta Carl Yung, a trama de Sob o Signo da Sombra é sintética, mas transmite muitas mensagens. O livro conta a história de um líder de equipe na faixa dos 35 anos, tido como um "super-herói equivocado", criado para ser vencedor e jamais expor fragilidades. Buscando crescer continuamente na empresa, ele segue os conselhos do sombrio Mr. Shadow, e toma decisões profissionais inadequadas, que podem lhe custar caro.

O objetivo do trabalho é gerar identificação, provocando no leitor uma reflexão sobre suas escolhas, muitas vezes iludidas por cargos, salários e benefícios do mundo corporativo. O público-alvo são jovens profissionais, entre 30 e 40 anos, que ocupam cargos de liderança e são ambiciosos, mas acabam esquecendo do desenvolvimento pessoal. "Escrever um livro formal sobre o assunto seria muito complexo e profundo. As pessoas se reconhecem nos quadrinhos e despertam para comportamentos inconscientes que sabotam nosso crescimento", explica Jo.

Sobre CPFs e CNPJs

As autoras explicam que o comportamento de se sobrecarregar profissionalmente nasce do fato de as pessoas não saberem dizer não, por medo de serem rejeitadas ou parecerem incompetentes na empresa. "Escolhemos o super-herói porque é assim que as pessoas se sentem; quando, na verdade, estão agindo movidas pelo medo", diz Adriana. Segundo elas, algumas organizações perpetuam o comportamento movido pela ambição, o que faz com que as pessoas demonizem suas fragilidades e se sobrecarreguem, em vez de buscar ajuda.

Elas destacam que, embora algumas empresas tenham buscado conscientizar suas equipes sobre os riscos desse comportamento, a busca por autoconhecimento e crescimento pessoal depende de cada um. "Tomamos decisões por dois motivos: irritar a dor e ser feliz. Portanto, é preciso avaliar o preço que pagamos pelas nossas escolhas". No final, o super-herói deve se aceitar como humano e voltar à sua essência.

Continuidade

Jo Pavezi e Adriana Ferrareto consideram lançar uma continuidade de Sob o Signo da Sombra, com novos personagens e recortes do mundo corporativo. A dupla deve, ainda, desenvolver atividades de psicodrama em empresas, trabalhando o autoconhecimento e a sintonia entre as pessoas de uma mesma equipe.

Um livro, muitas mãos

A trama foi criada a partir da gravação de uma conversa entre as autoras, inspiradas por histórias que testemunharam ou ouviram de amigos e clientes. Adaptada pelo roteirista Müller Barone para uma versão graphic novel, a jornada ganhou vida com as ilustrações de Robson Vilalba, que, junto ao colorista Atlan Coelho, transportou o leitor para a atmosfera sombria da Desilusion City – onde a história se passa –, que se transforma no decorrer do livro.

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