
Para se ter um bom salário e aumentar as chances de encontrar um emprego, o melhor investimento é a educação. A pesquisa "Você no Mercado de Trabalho", divulgada recentemente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), aponta que cada ano a mais de estudo de um trabalhador significa em média um aumento de 15% em sua remuneração mensal.
O estudo mapeia os dois extremos da pirâmide social brasileira. De um lado está um analfabeto, cujo salário médio gira em torno de R$ 400. Na outra ponta, um indivíduo com pós-graduação nível atingido após 18 anos de estudos cujo rendimento médio chega a R$ 5 mil.
Já a chance de empregabilidade também cresce de acordo com os anos de estudo, embora em ritmo mais lento do que a remuneração. Se uma pessoa que nunca foi à escola começasse a estudar hoje, sua chance de arrumar um emprego aumentaria 3,4% a cada ano na sala de aula.
O maior salto de remuneração ocorre quando um trabalhador de nível superior, com 15 anos de estudos, ingressa na pós-graduação. A partir daí, cada ano a mais de estudo representa um acréscimo salarial de até 47,4%. A empregabilidade também cresce, embora em ritmo mais lento, de 1,2%.
A alfabetização também representa um importante salto. A diferença de rendimentos entre uma pessoa sem nenhum ano de estudo com a de um trabalhador com apenas um ano de escolaridade chega a 6,8%. Nesse caso, a chance de se conseguir um emprego também aumenta cerca de 14% para os que estudaram.
A pesquisa mostra, também, que começar um curso superior e não terminá-lo nem sempre é um bom negócio porque diminui a empregabilidade. A diferença salarial entre uma pessoa que concluiu o ensino médio e a de um trabalhador que tem apenas o primeiro ano de faculdade chega a 19,5%. Em contrapartida, a probabilidade de se conseguir um emprego cai 3%.
"Ocorre neste caso o chamado efeito diploma. Isto porque o indivíduo não pode concorrer a vagas para formados, mas tem mais qualificação que uma pessoa apenas com ensino médio. Torna-se mais difícil encontrar uma ocupação", explica o coordenador da pesquisa e chefe do Centro de Políticas Sociais (CPS) vinculado ao IBRE/FGV, Marcelo Côrtes Neri.
Outro detalhe que surgiu com a pesquisa foi o fato de que o salário máximo de uma carreira é atingido quando o profissional tem 53 anos de idade. Já a maior taxa de ocupação ocorre aos 42 anos.
Emprego dos sonhos
A profissão que paga os melhores salários e na qual há menos desemprego é também a mais concorrida nos vestibulares. Entre as 31 carreiras universitárias de graduação comparadas, a de medicina tem a maior taxa de ocupação 90% dos médicos estão empregados e a maior média salarial, com R$ 6,2 mil. O sucesso tem seu preço: graduados em medicina são os que mais trabalham, com jornada semanal de 50 horas.
Para Neri, o aspecto mais importante do estudo é que ele pode ajudar um jovem a subsidiar suas escolhas e planejar uma carreira. A pesquisa completa pode ser acessada pelo endereço http://www.fgv.br/cps/iv.




