
É consenso nas grandes corporações que seus líderes precisam saber ouvir. Por isso mesmo, parece irônico que essa habilidade muitas vezes é deixada em segundo plano por quem assume a responsabilidade de conduzir equipes. Pesquisas na área de gestão de pessoas mostram que, quanto mais alta a posição de um gestor na hierarquia, mais rarefeita é a capacidade de ele parar para ouvir os outros.
Os especialistas apontam os mais variados motivos para que os chefes não escutem. A principal causa gira em torno do poder. Um estudo de duas universidades norte americanas Lehigh University e Duke University afirma que quanto mais poder um indivíduo tem no ambiente de trabalho, menor a probabilidade de tomar conselhos de outras pessoas.
O poder está ligado à cultura socioeconômica do Brasil e também à cultura que a empresa impõe, explica o sócio diretor da Mazars, empresa de consultoria e auditoria de empresas, Osvaldo Peressute. Para ele, também há outras razões para os gestores não ouvirem seus colaboradores, como a própria vaidade da figura de chefe, o medo que o liderado o supere, a falta de capacidade de delegar e também a insegurança do líder.
O profissional de gestão de vendas, Alberto Eduardo Diaz, que liderou muitas equipes ao longo de sua carreira profissional, relata que, por vezes, o gestor ouve a opinião da equipe, mas não pensa sobre ela, nem a coloca em prática. "A informação que vem do subordinado compõe e valida o que você pensa. No entanto, de fato, muitas vezes você não faz o que eles sugerem", reconhece.
Diaz entende também que, como os funcionários estão mais perto da realidade, podem ajudar a prestar atenção nas mudanças do mercado. Uma pesquisa da Lousiana State University mostrou que não basta apenas ouvir, mas que determinados comportamentos contribuem para a eficácia dessa habilidade.
Integração
Retenção de profissionais é consequência de bom diálogo
A consultora de carreira Michele Carvalho Gelinski, da Chess Human Resources, explica que um líder que ouve acaba tendo a capacidade de reter pessoas. "Na maioria das vezes, os funcionários saem das empresas por causa do líder e não da empresa em si. Acaba sendo algo muito mais pessoal", diz.
A gerente de consultoria de recrutamento da Michael Page, Patrícia Tourinho, ressalta que a habilidade de ouvir "são os olhos do gestor". "Um time que não se sente ouvido vira uma bomba relógio, o gestor corre o risco de não suprir as expectativas", reforça.
Para promover o desenvolvimento gerencial das organizações, as empresas costumam usar o sistema de avaliação 360 graus. Nesse método, as pessoas são avaliadas por seus pares, subordinados e superiores. "Esse modelo é uma ótima maneira de ouvir a opinião dos outros. Você deve entender que é mais uma peça da organização", defende o gestor de vendas Alberto Eduardo Diaz.



