
A ascensão do Brasil no cenário internacional e a fama de país das oportunidades atraíram empresas de diversas nacionalidades para as cidades brasileiras e colocaram em evidência os profissionais de tradução e interpretação. Além da Copa do Mundo e das Olimpíadas que vem por aí, o país virou um polo de negócios e passou a receber um número crescente de eventos e congressos acadêmicos. A soma disso tudo fez com que o mercado brasileiro de tradução crescesse 57% de 2009 a 2011, movimentando US$ 18 bilhões, segundo um estudo da consultoria americana Common Sense.
Depois de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, Curitiba é a capital que mais demanda esse tipo de profissionais. O leque de possibilidades é extenso, mas, de forma geral, a aplicação dos serviços de tradução e interpretação têm se destacado principalmente na área jurídica, com a tradução juramentada, e nas áreas médica e técnica, afirma o diretor da Millennium Traduções e Interpretações, Pérsio Burkinski.
"Recentemente fizemos um treinamento oral de aproximadamente um mês na fábrica da Renault, em São José dos Pinhais, para a implantação de uma nova linha de montagem que veio da Itália. Os técnicos italianos vieram repassar aos profissionais brasileiros informações sobre o funcionamento", contou Burkinski, dando um exemplo claro de como as oportunidades estão distribuídas nos mais diversos segmentos.
A profissão não exige diploma e é regulamentada apenas para tradutor público e intérprete comercial. Contudo, saber se comunicar no idioma desejado não basta para trabalhar como tradutor ou intérprete, alerta a sócia da Versão Brasileira Traduções, Raquel Schaitza, que trabalha há 25 anos na área. "O tradutor é o analista mais profundo de um texto. Ele precisa compreender a mensagem em todas as nuances, ambiguidades e diferenças culturais sem perder a essência", detalha.
A mesma coisa ocorre com o intérprete, mas do ponto de vista da fala. O profissional precisa antecipar o que o cliente vai responder e raciocinar rapidamente, mantendo as ênfases e a naturalidade da fala. A grande diferença, segundo Raquel, é o fator tempo, que o tradutor costuma ter e o intérprete não. "São raros os profissionais que conseguem atuar bem nas duas áreas. A escrita é cheia de convenções, porém, mais limpa e com menos interrupções. Já a fala é complexa e recheada de sotaques e pausas."
Ganhos
Mercado é fechado, mas remunera bem os bons profissionais
Segundo Pérsio Burkinski, da Millennium Traduções e Interpretações, além da formação básica no idioma, dois anos é o tempo médio necessário para que o profissional consiga obter a qualificação complementar exigida pelo mercado.
O sucesso na profissão está diretamente atrelado ao interesse do tradutor ou intérprete em aprimorar o seu conhecimento na língua, se inteirar das terminologias e das expressões e aprofundar as técnicas.
Diante da demanda existente hoje, os profissionais liberais que se encaixam neste perfil e conseguem conquistar a confiança dos clientes podem ganhar entre R$ 15 mil e R$ 20 mil por mês. Para vagas em empresas, o salário médio inicial é de R$ 2.500. Uma boa base de referência para consultar os preços praticados pelo mercado de tradução e interpretação é site do Sindicato Nacional dos Tradutores (Sintra) (www.sintra.org.br), que traz os valores atualizados por região.



