
Em meio a uma nova onda de boatos sobre a possível venda para a chinesa Lenovo, a Positivo Informática anunciou sua entrada no mercado de celulares tradicionais e smartphones, liderado no Brasil pela Nokia e a Samsung, respectivamente. As ações da empresa dispararam ontem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e fecharam o pregão com alta de 13,72% e valendo R$ 6,30.
Os rumores de venda se intensificaram após a Lenovo informar que "vai fazer o maior anúncio da história da empresa no Brasil" em coletiva de imprensa hoje, em São Paulo, que terá a presença do presidente global, Yang Yanquing.
Maior fabricante de computadores do país, a Positivo já foi alvo de oferta da Lenovo em 2008, mas recusou a proposta, de R$ 18 por ação. Na época, as ações da fabricante de computadores estavam cotadas a R$ 5,63. Além de especular sobre a Positivo, notícias em blogs do setor também indicavam a CCE como um possível alvo de compra da Lenovo.
Em entrevista ontem à noite, o presidente da Positivo Informática, Hélio Rotenberg, se recusou a comentar a possibilidade de venda para a Lenovo. Segundo ele, a empresa "tem orgulho de ser paranaense e de liderar o mercado de computadores no país".
A Positivo entrará no mercado de aparelhos celulares com um portfólio inicial composto por cinco modelos: três smartphones com sistema operacional Android e dois celulares tradicionais com sistema operacional próprio. Os smartphones virão com dois chips e os modelos tradicionais com três chips.
Os celulares devem chegar ao varejo em novembro, a tempo das vendas de Natal. Rotenberg não dá detalhes, mas os preços devem variar entre R$ 200 e R$ 1 mil. Ao que tudo indica, a Positivo vai repetir o modelo usado nos notebooks e desktops, em que a marca é agressiva em preços de entrada, o que atrai principalmente a classe C.
"Estávamos estudando esse mercado há um ano e meio. É o caminho natural. Conhecemos a tecnologia, conhecemos os pontos de venda, e, além disso, vamos usar, nos smartphones, o mesmo sistema operacional que já temos no nosso tablet Ypy", diz. A ideia inicial é produzir os modelos na fábrica de Curitiba.
A empresa contratou Germano Couy, que era presidente da fabricante de computadores Megaware, para cuidar da nova divisão. Ele assumiu a vice-presidência de produtos de consumo da empresa. "Não viemos para brincar nesse mercado", diz Rotenberg.
Segundo previsão do IDC Brasil, o mercado de celulares tradicionais, que respondem por 76% dos aparelhos no Brasil, deve somar vendas de 48,5 milhões de aparelhos em 2012, 20,5% menos do que no ano passado. Os smartphones, porém, vêm avançando rapidamente e devem fechar o ano com 15,4 milhões de unidades, aumento de 73% em relação a 2011. Segundo a IDC, o Brasil já é o quinto maior mercado para esses aparelhos, representa 2,3% do mercado mundial.
O fato de o mercado de celulares estar encolhendo não preocupa o executivo. "Estamos falando de um mercado de mais de 40 milhões de aparelhos por ano. Não dá para entrar nesse setor sem ter modelos tradicionais. Queremos firmar o pé nesse mercado."



