Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...

Até o início do mês, o mercado acionário se comportava como se não houvesse limite para a valorização das ações – o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), atingiu sua maior marca, pouco mais de 42 mil pontos, e chegou a acumular uma alta de 25% no ano. Entre 10 e 24 de maio, porém, o índice perdeu 7 mil pontos e, mesmo com uma retomada nos últimos dois pregões, registra uma queda de 4,3% no mês. Nesse cenário, apenas uma dezena de papéis se salvaram. Entre eles estão os da Embratel, Cemig, Aracruz e Sadia.

O fato de um pequeno número de ações ter se destacado em um mês de fortes oscilações na Bolsa não significa que elas formam uma espécie de "mapa da mina". Muitos papéis com fundamentos sólidos caíram porque eles estavam nas carteiras mantidas por investidores que decidiram realizar lucro. "Nenhum setor se segurou na semana que passou. Nos momentos mais negativos, não havia um único destaque de alta no mercado", diz o analista de investimentos Ângelo Larozi, da corretora Souza Barros.

A queda na Bolsa nos últimos 15 dias foi provocada por uma saída em massa de investidores após o surgimento de dúvidas a respeito do futuro dos juros nos Estados Unidos. A taxa básica americana vem subindo desde o primeiro semestre de 2004, quando estava em 1% ao ano, até chegar a 5% ao ano neste mês. Muitos analistas apostavam que a elevação dos juros acabaria quando eles chegassem a 5% ou 5,25% ao ano, mas essa percepção ficou mais incerta.

"Não há clareza ainda sobre o caminho que o Fed (banco central dos EUA) tomará. Muitos investidores resolveram sair de mercados emergentes porque acham que os juros podem subir mais", explica Wilson Paese, gerente de renda variável da corretora Omar Camargo. Se as taxas americanas subirem por mais tempo, ficarão atraentes e investimentos de risco em países emergentes perderão espaço.

Na última quinta, a aversão ao risco perdeu força. A Bovespa ganhou algum fôlego, com duas altas, de 4,9% e 2,8%. Embora expressiva, a recuperação foi suficiente só para que alguns papéis se reerguessem do tombo provocado pela saída de investidores. Na sexta, o maior destaque entre os papéis que compõem o Ibovespa era a valorização de 16% da Embratel PN. "É um resultado anormal porque foi influenciado pela decisão de seus controladores de fechar o capital da empresa", diz o analista Daniel Doll Lemos, da corretora Socopa. Esse papéis serão recomprados em breve por R$ 6,95 e estavam cotados a R$ 6,48 no último fechamento. "Há algum espaço para ganho com a Embratel, só que bem limitado." A segunda colocada no mês até o último pregão foi a Cemig ON, que se valorizou 4,78% no mês, seguida da Aracruz PNB e Sadia.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]