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Poupança “vence” renda fixa na maioria dos casos

Com Selic a 9% e a incidência de Imposto de Renda, a caderneta é mais rentável em 16 de 20 simulações

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A redução da taxa básica de juros para 9% ao ano na quarta-feira marcou a virada da poupança em relação aos fundos de renda fixa. Em 20 simulações que compararam a rentabilidade das duas modalidades de investimento frente à nova Selic, a Associação Nacional de Executivo de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) constatou que a poupança fica na frente em 16. Só nos casos em que o resultados líquidos dos fundos – já descontados o Imposto de Renda (IR) e a taxa de administração – superam 0,55% é que eles continuam a opção mais rentável.

De acordo com o diretor-executivo de Estudos Financeiros da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira, isso ocorre porque a caderneta de poupança tem seu ganho garantido por lei (TR mais 6,17% ao ano) e não paga IR, ao contrário dos fundos de renda fixa, em que quanto menor é o prazo de resgate, maior é a alíquota do imposto. Além disso, os fundos têm mais um encargo: a taxa de administração, que varia conforme o banco ou corretora.

Com a Selic atual, a poupança só perderá para os fundos quando a taxa de administração deles for igual ou menor que 0,5% ao ano – condição que os bancos só oferecem a grandes investidores.

Perspectivas

O professor do Ibmec Belo Horizonte Reginaldo Nogueira diz que a próxima ata do Conselho de Política Monetária (Copom) deve revelar o que a autoridade pensa a respeito de mais cortes na Selic neste ano e para 2013. "O limite da Selic sem mexer na poupança é de 7,5%. Acredito, porém, que a taxa não chegará a esse patamar neste ano, nem no ano que vem, por causa da pressão inflacionária. Ainda que o governo diga que a inflação vai convergir para a meta [4,5%], acredito que a Selic terá de voltar a crescer em 2013 para abrandar a subida de preços. As regras da poupança poderiam ser rediscutidas de novo, portanto, daqui dois ou três anos", avalia. A maioria dos analistas aposta na manutenção da taxa em 9% até o fim de 2012.

Entre as possíveis mudanças para poupança está a sua vinculação à variação da Selic ou ainda sua tributação pelo IR. Em 2009, na esteira da crise financeira mundial, que forçou a queda da Selic, o governo Lula chegou a discutir mudanças nas regras da poupança, propondo a taxação das aplicações superiores a R$ 50 mil. Mas o projeto acabou abandonado, em parte porque continha regras complicadas, e em parte porque era muito impopular e poderia causar estragos para o governo nas eleições presidenciais de 2010.

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