
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que a correção nos preços da gasolina ocorre todos os anos e que a posição do governo é continuar com reajustes normais, mas negou que haverá um "tarifaço" após as eleições de outubro. "Todos os anos tem correção do preço da gasolina, uns mais outros menos. Essa é a regra", afirmou. "[Agora] quando ocorrerá o aumento, essa é uma decisão que mexe com o mercado, com ações, não se comenta. É questão das empresas responsáveis."
Mantega deu a declaração ao ser questionado se, com o arrefecimento da inflação mais para o fim deste semestre, haveria espaço para ajustes nos preços administrados. "Nosso comportamento é continuar com reajustes normais, sem tarifaço", disse ele, que também é presidente do Conselho de Administração da Petrobras.
A diretoria da Petrobras, inclusive a própria presidente da estatal, Graça Foster, tem pleiteado ao governo reajuste dos preços dos combustíveis para reduzir a defasagem dos valores praticados no Brasil com os vistos no exterior, algo que afeta as finanças da companhia.
Peso no IPCA
A gasolina tem um peso importante no IPCA, índice que baliza a meta de inflação do governo que é de 4,5% ao ano, com margem de tolerância de dois pontos para mais ou para menos. Com o IPCA em 12 meses acima do teto da meta atualmente, o governo tem menos espaço para elevar preços administrados como os dos combustíveis. Em junho, o indicador acumulava alta de 6,52% em 12 meses.
A última vez em que houve reajuste nos preços da gasolina foi em novembro do ano passado, quando a Petrobras anunciou aumento médio de 4% da gasolina e de 8% no diesel nas refinarias. Na época, especialistas calcularam que a alta da gasolina ao consumidor final seria de cerca de 3%.



