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Prejuízos com leite e avicultura somam, por baixo, R$ 220 milhões

Animais bicam comedouros e não encontram nada às vesperas da entrega para frigoríficos

Em Pitanga, produtores de leite despejaram galões do alimento na rua por falta de transporte. | Reprodução/Facebook
Em Pitanga, produtores de leite despejaram galões do alimento na rua por falta de transporte. (Foto: Reprodução/Facebook)

O caos no transporte provocado pelos bloqueios rodoviários está matando frangos de fome e agravando o descarte de leite fresco no Paraná. A Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) calcula um prejuízo diário de R$ 30 milhões apenas para os produtores de leite que não estão conseguindo escoar a produção – total de R$ 120 milhões desde o início dos bloqueios. Os produtores de suínos e frangos também não conseguem realizar os abates no prazo e, além do aumento na mortandade, arcam com um custo adicional de R$ 25 milhões por dia com a alimentação – outros R$ 100 milhões de prejuízo.

O quadro é de desespero em propriedades como a de Carlos Vallini, de Jataizinho (Norte do Paraná), que já perdeu mais de 1 mil frangos. O avicultor conta que deveria ter enviado há três dias 64 mil aves para um frigorífico em Rolândia, a 50 quilômetros de sua propriedade, mas não consegue cumprir a tarefa. Quando o ciclo dos frangos chega ao final, as unidades produtivas ficam sem ração. Como as entregas do insumo também estão prejudicadas, falta alimento nos comedouros. Os animais bicam os recipientes e nada encontram, morrendo famintos.

“Não há como trazer ração e nem como encaminhar os frangos para o abate. Mais de mil aves já morreram de fome”, disse Vallini. Em média, seu plantel precisa de 4 mil quilos de ração por dia. Os estoques da fazenda se esgotaram e o problema tende a se agravar.

Prejuízo à imagem

O presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, aponta que além do prejuízo com o descarte das aves, há risco de dano à imagem do Brasil no mercado externo. “Trabalhamos durante décadas para a construção da imagem da cadeia produtiva como sustentável, pautado pela qualidade, sanidade e preservação do bem-estar animal. Agora, circulam imagens que prejudicam gravemente este trabalho, em uma situação que não foi gerada pelo setor”, lamentou.

Na pecuária leiteira, o descarte chegou à zona urbana em Pitanga, no Centro do Paraná. O Sindicato Rural organizou uma mobilização em frente à Câmara de Vereadores, reunindo produtores que despejaram galões do alimento na rua. Conforme o presidente da entidade, Luiz Carlos Zampier, estão sendo perdidos 200 mil litros de leite por dia somente no município.

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