Curitiba A produção industrial do Paraná caiu pelo terceiro mês consecutivo em setembro, tendo apresentado a segunda maior queda entre os 14 estados pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atrás apenas do Ceará. Quando comparada a setembro de 2004, a produção industrial paranaense teve variação negativa de 11,57%, puxada pelas quedas dos setores de edição e impressão, máquinas e equipamentos, alimentos e refino de petróleo e álcool. Desde janeiro de 2000 que a pesquisa do IBGE não apontava índices tão negativos para a indústria paranaense. Entretanto, nos primeiros nove meses do ano o resultado é positivo em 2,8%.
Segundo o economista do IBGE, André Macedo, a queda de mais de 40% na produção da indústria de impressão e edição do Paraná teve como causa a base de comparação elevada verificada em setembro do ano passado. De acordo com o diretor geral da Organização Educacional Expoente, Armindo Angerer, os negócios em agosto, setembro e outubro do ano passado foram excepcionais por conta de pedidos de governos estaduais, o que não se repetiu este ano, ficando as encomendas restritas ao setor privado. "O mercado não está ruim para o pólo de material didático de Curitiba, mas no ano passado as vendas foram acima do normal", afirma.
O coordenador do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Maurílio Schmidt, explica que o que está ocorrendo este ano com a indústria paranaense é que, diante do descompasso entre as compras e as vendas, os estoques aumentaram. "Como a expectativa dos empresários de que 2005 seria um ano melhor do que 2004 acabou sendo frustrada em função, principalmente, da elevação dos juros, os industriais passaram a readequar o ritmo das compras com as vendas, e o que se verifica é a queda da produção", destaca.
Outro motivo da queda do desempenho da indústria do Paraná, em especial, no setor de alimentos, foi a quebra da safra agrícola. A indústria de bens duráveis, que vinha crescendo desde o ano passado estimulada pelo crédito, começa a apresentar sinais de exaustão. "As famílias estão chegando ao limite máximo de endividamento. Os recursos de financiamento, que poderiam ser destinados às vendas, estão indo para a quitação de dívidas assumidas e não pagas", alerta Schmidt.
Juros
Os resultados da indústria divulgados nesta semana confirmam um quadro de desaceleração da produção. A indústria nacional teve queda de 2% na comparação com agosto e de 0,2% em relação a setembro do ano passado. De acordo com o economista do IBGE, André Macedo, no terceiro trimestre, o setor industrial foi afetado pelo patamar ainda elevado das taxas de juros, pela taxa de câmbio considerada desfavorável aos exportadores e pelo maior endividamento do consumidor.
A crise política do governo Lula também afetou a percepção de empresários e consumidores quanto ao futuro. Diante da incerteza, o cenário descrito nas pesquisas é de investimentos modestos e compras de valor mais baixo.



