"Nas fábricas da China as pessoas trabalham 15 horas por dia, não existe folga, feriado ou domingo. O que pagamos aqui no Brasil para uma costureira qualificada (R$ 1,3 mil, incluindo salário e encargos sociais) é o equivalente ao ganho de seis costureiras asiáticas." Quem dá a informação e faz a comparação é o empresário Fábio Gaspar, de Apucarana.
Há algumas semanas, ele integrou uma comitiva de empresários paranaenses que foi à China conhecer a linha de produção de fábricas de bonés e que também visitou uma feira de máquinas e equipamentos do segmento têxtil.
Gaspar já importou alguns equipamentos da China, mas admite que a qualidade do boné e o custo final deles é algo impossível de se alcançar no Brasil nas atuais circunstâncias. "Só para se ter uma idéia da disparidade, enquanto conseguimos produzir aqui um boné de magazine a R$ 6,80, eles fabricam um produto melhor acabado ao incrível custo final de R$ 1,85", revela o empresário.
Proprietário de uma fábrica de médio porte, especializada em bonés de grife, Gaspar diz que não fechou qualquer acordo para terceirizar produção com os chineses. Mas, ele diz que conhece o caminho e não descarta a possibilidade de vir a negociar no futuro.
Vanderlei César da Silva, que está no ramo de bonés há pouco mais de cinco anos, também esteve em Xangai e outros centros industriais da China. "Fui conhecer novas tecnologias, conhecer tendências da moda e fiquei impressionado com o que vi", afirma o empresário.
Segundo ele, além do baixo custo de mão-de-obra, é extremamente fácil importar máquinas japonesas e coreanas. "Aqui no Brasil as absurdas exigências burocráticas e as altas taxas de importação impedem a compra dessas máquinas e, ao mesmo tempo, o avanço da qualidade dos nossos produtos", avalia Silva. (MB)



