
Se dependessem só de clientes, as cooperativas de crédito teriam futuro garantido. Os produtores rurais acabaram de financiar a safra de verão, mas se queixam da falta de recursos no sistema oficial. As reclamações não são contra um ou outro banco isoladamente, mas em relação às regras que impõem limites a quem ainda tem compromissos de safras anteriores e à própria indisponibilidade de recursos.
O produtor André Bubniak Montrucchio, da Lapa (Sul), conta que está vendendo gado para pagar conta de adubo. Como alongou financiamentos da época da última crise agrícola, entre 2003 e 2006, teve seu limite de crédito reduzido nos bancos. O sistema de crédito prioriza o cliente que têm todas as contas em dia. Em sua avaliação, na agricultura, pelos riscos extras e pela importância econômica e social do setor, deveria ser diferente. Para pagar os financiamentos, o agricultor tem que produzir continuamente e, em caso de quebra de safra, se compromete ainda mais, argumenta.
No país, estima-se que um terço dos recursos aplicados na produção agrícola vêm do crédito oficial. No Paraná, essa parcela chega perto de 50%, avalia o economista da federação dos sindicatos rurais do estado, a Faep, Pedro Loyola. Ele considera que a agricultura familiar é predominante e depende desses recursos.
As cooperativas de crédito que atendem o campo trabalham basicamente com o juro previsto no Plano Agrícola e Pecuário do governo federal, de 6,75% ao ano. Esse é outro fator que favorece o segmento. Na tomada de recursos exclusivamente privados, o agricultor paga taxa acima de 1% ao mês e que pode ultrapassar 20% ao ano. (JR)



