Enquanto os setores ligados à exportação se exasperam com a estabilidade do câmbio baixo que rouba rentabilidade das vendas externas, o varejo de alimentos comemora a chegada da melhor temporada para os importados, que chegam mais fácil na mesa do consumidor neste fim de ano com o dólar a R$ 2,16. De acordo com a Associação Paranaense de Supermercados (Apras), os produtos importados relacionados ao Natal estão cerca de 10% mais baratos neste ano em relação a 2005 um estímulo para quem está disposto a fazer compras um pouco mais caras e servir algo diferente na ceia.
Para o presidente da Apras, Éverton Muffato, o crescimento das vendas de 15% no fim de ano será um refresco, embora não seja capaz de recuperar a perda de rentabilidade registrada no ano por conta da deflação de preços. "O setor supermercadista brasileiro conta com a alavancagem de novembro e dezembro para fechar o ano com ganho real de faturamento de 1%", diz.
Nas prateleiras, os vinhos argentinos e chilenos já são a grande vedete. Para aproveitar o bom momento e cumprir a meta de elevar a venda de bebidas em 20%, a rede Pão de Açúcar procurou negociar com exclusividade com vendedores dos países vizinhos, o que permitiu apresentar preços competitivos para alguns rótulos, como o chileno Casillero Del Diablo (R$ 36,50) e o argentino SantAna (R$ 9,50).
A procura do consumidor por frutas nobres, importantes tanto para colorir quanto para dar sabor à ceia, levou a rede a buscar um volume 25% maior de frutas fora do país. As frutas frescas vêm principalmente dos Estados Unidos, Itália, Espanha e Chile. São novas variedades de pêras, maçãs, uvas e ameixas.
Já o Wal-Mart importou 40% mais frutas argentinas e chilenas, que estão 8% mais baratas neste ano. A seção de frutas, legumes e verduras tem nectarinas, ameixas, pêssego, kiwi, damasco e cerejas in natura. Uma linha de frutas secas recebeu embalagens da marca própria Great Value o que significa preço mais baixo. Os pacotes de 200 gramas custam de R$ 1,98 (ameixas pretas) a R$ 7,98 (nozes).
As cestas de Natal repletas de guloseimas importadas também estão mais em conta. No Pão de Açúcar o preço vai de R$ 20, das nacionais mais simples, até aquelas salpicadas de produtos importados, que chegam a R$ 189. Também é possível montar uma cesta personalizada. No Super Muffato a variação vai de R$ 19 a R$ 200. A maioria traz algum produto importado.
As carnes especiais de Natal estão mais baratas devido ao aumento do estoque no mercado interno. O dólar baixo reduziu as vendas para o exterior, e as exportações também caíram por razões sanitárias: a de aves com a barreira da gripe aviária, e a de suínos, com o temor de febre aftosa.
Para aumentar a variedade, o Wal-Mart importou 20% mais bacalhau este ano, com a perspectiva de vender 500 toneladas. Em 2005, foram 430 toneladas. Uma novidade neste ano são os cortes de picanha e cordeiro do Uruguai. Com o estímulo das carnes, a rede americana espera elevar em 15% as vendas de alimentos.
Um dos pricipais símbolos das festas, o panetone foi negociado com a indústira mais cedo e em maior quantidade, compensando em parte a alta no preço pela alta da farinha. O produto chegou mais cedo este ano às gôndolas do Wal-Mart.



