
Demanda crescente do mercado, escassez de profissionais e salário médio inicial de R$ 6,5 mil. Esse cenário improvável para a maioria das carreiras é uma realidade para os projetistas de chip brasileiros, que ganharam mais evidência a partir de 2008, quando o governo federal criou o Programa Nacional de Formação de Projetistas de Circuitos Integrados (PNF-PCI).
A ideia era impulsionar a nascente indústria microeletrônica do país, formando profissionais qualificados para desenvolver projetos de circuitos integrados. Foram abertos, então, dois centros de treinamento de projetistas: o CT1, em Porto Alegre (RS) e o CT2 em Campinas (SP). Desde então, mais de 500 projetistas passaram pelos dois centros, que oferecem bolsas de R$ 2 mil e encaminhamento para o mercado.
A maioria dos egressos são absorvidos pelas design houses (DHs), empresas ligadas à universidades ou instituições públicas de pesquisas que atuam no desenvolvimento de projetos de circuitos integrados com o apoio do Circuito Integrado (CI) Brasil, programa do governo federal. No total, são 22 design houses espalhadas pelo Brasil.
Formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Conrado Kamienski, de 24 anos, é projetista na Chipus, de Florianópolis. Durante a graduação, ele ganhou uma bolsa para estudar na França, onde se especializou em microeletrônica e fez estágio em uma divisão terceirizada de semicondutores da Phillips.
Especialização
"Dificilmente um profissional que trabalha com circuitos integrados digitais consegue migrar para a área analógica, mista ou de radiofrequência sem uma reciclagem", afirma o professor do Departamento de engenharia Elétrica da UFPR, Andre Mariano, coordenador de um grupo de pesquisa em microeletrônica. "Como os projetos de circuitos digitais são mais simples, o gargalo de projetistas está na área de circuitos analógicos", diz Kamienski.
A grande vantagem, segundo Mariano, é a geração de projetos "made in Brazil", o que garante o registro de propriedade intelectual para o país, afinal, o grande valor agregado está no projeto do chip e não na sua fabricação.



