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Projetistas de chip estão em alta no mercado

Salários acima da média compensam a necessidade de profissionais altamente especializados, que é uma exigência da microeletrônica

O engenheiro Marcelo de Souza: largando tudo para fazer doutorado em microeletrônica | Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo
O engenheiro Marcelo de Souza: largando tudo para fazer doutorado em microeletrônica (Foto: Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo)

Demanda crescente do mercado, escassez de profissionais e salário médio inicial de R$ 6,5 mil. Esse cenário – improvável para a maioria das carreiras – é uma realidade para os projetistas de chip brasileiros, que ganharam mais evidência a partir de 2008, quando o governo federal criou o Programa Nacional de Formação de Projetistas de Circuitos Integrados (PNF-PCI).

A ideia era impulsionar a nascente indústria microeletrônica do país, formando profissionais qualificados para desenvolver projetos de circuitos integrados. Foram abertos, então, dois centros de treinamento de projetistas: o CT1, em Porto Alegre (RS) e o CT2 em Campinas (SP). Desde então, mais de 500 projetistas passaram pelos dois centros, que oferecem bolsas de R$ 2 mil e encaminhamento para o mercado.

A maioria dos egressos são absorvidos pelas design houses (DHs), empresas ligadas à universidades ou instituições públicas de pesquisas que atuam no desenvolvimento de projetos de circuitos integrados com o apoio do Circuito Integrado (CI) Brasil, programa do governo federal. No total, são 22 design houses espalhadas pelo Brasil.

Formado em Enge­nharia Elé­trica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Conrado Kamienski, de 24 anos, é projetista na Chipus, de Florianópolis. Durante a graduação, ele ganhou uma bolsa para estudar na França, onde se especializou em microeletrônica e fez estágio em uma divisão terceirizada de semicondutores da Phillips.

Especialização

"Dificilmente um profissional que trabalha com circuitos integrados digitais consegue migrar para a área analógica, mista ou de radiofrequência sem uma reciclagem", afirma o professor do Departamento de engenharia Elétrica da UFPR, Andre Mariano, coordenador de um grupo de pesquisa em microeletrônica. "Como os projetos de circuitos digitais são mais simples, o gargalo de projetistas está na área de circuitos analógicos", diz Kamienski.

A grande vantagem, segundo Mariano, é a geração de projetos "made in Brazil", o que garante o registro de propriedade intelectual para o país, afinal, o grande valor agregado está no projeto do chip e não na sua fabricação.

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