
Apesar de não fazerem parte dos planos de ninguém, acidentes acontecem com mais frequência do que se imagina, a julgar pelos gastos das seguradoras: só nos quatro primeiros meses deste ano, foram pagos no Brasil cerca de R$ 30 bilhões em prêmios diretos a assegurados, excluídos os números referentes à modalidade seguro-saúde. Como o setor de seguros não foi afetado pela crise econômica que emergiu em 2008, tem registrado taxas de crescimento superiores a 10% nos dois últimos anos, de acordo com dados apurados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).Isso significa que, apesar do sentimento supersticioso do brasileiro, que prefere não falar no assunto para não atrair desgraças, mais pessoas estão procurando apólices de seguro com o intuito de se prevenir de possíveis imprevistos. Mas o consultor financeiro Leandro Martins, autor do livro Aprenda a Investir Saiba onde e como aplicar o seu dinheiro (São Paulo, Editora Atlas, 2008), adverte que contratar seguros de forma indiscriminada, por pressão do gerente do banco ou "para ajudar os amigos", não é a melhor maneira de gerir suas finanças pessoais.
Para Martins, antes de se contratar uma apólice deve-se pensar bem no próprio perfil do assegurado e na relação custo/benefício imbuída na negociação. Quem mora em São Paulo ou em qualquer metrópole, por exemplo, não pode abrir mão do seguro de automóvel. "Em cidades grandes há um índice elevado de acidentes e roubos de veículos, por isso é essencial estar sempre segurado", recomenda.
Já no caso do seguro-saúde, Martins alerta que esta, sim, é uma opção aconselhável para todas as pessoas. O consultor explica que os serviços de saúde são excessivamente caros e qualquer um que venha a precisar de um período mais longo de internação ou mesmo de exames mais específicos teria de desembolsar somas que comprometeriam o orçamento doméstico. "Além disso, os serviços públicos de saúde no Brasil são de péssima qualidade um motivo a mais para se pensar em adquirir uma apólice", completa.
Uma das modalidades de seguro que o consultor não considera como essencial é a apólice residencial, que dá cobertura ao proprietário no caso de acidentes (fogo ou raios, por exemplo). "É muito raro acontecerem esses tipos de acidentes, o que torna a opção por esse tipo de apólice pouco recomendável", comenta Martins. Situação diferente é a proteção, quase obrigatória dependendo da cidade, contra roubos e furtos na residência.
De acordo com Paulo dos Santos, superintendente da Susep, ao contratar uma apólice o segurado deve ter em vista suas próprias necessidades, o valor do prêmio e as coberturas oferecidas pelas diversas empresas que compõem o mercado. "Nessa hora é essencial a orientação de um corretor. Trata-se de um profissional treinado, capaz de esclarecer possíveis dúvidas e indicar a melhor alternativa para cada tipo de perfil", avalia.
O colunista Franco Iacomini está de férias. A coluna Financês volta a ser publicada no dia 3 de agosto
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