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Para entender

Quando os brasileiros finalmente param de trabalhar apenas para pagar impostos?

Em média, renda do brasileiro até o dia 30 de maio foi apenas para pagar impostos (Foto: Steve Buissinne/Pixabay)

Em 2026, o contribuinte brasileiro precisa trabalhar, em média, 150 dias apenas para quitar suas obrigações tributárias. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), a carga tributária efetiva atingiu 41,1%, fazendo desta segunda-feira (1º) o primeiro dia de renda livre.

O que significa dizer que trabalhamos meses apenas para pagar impostos?

Isso é um cálculo que transforma a porcentagem de impostos que pagamos em dias do ano. Se a carga tributária média é de 41,1%, isso equivale a 150 dias de trabalho. Na prática, todo o dinheiro que um trabalhador ganhou desde o dia 1º de janeiro até o dia 30 de maio foi destinado ao governo para pagar tributos sobre sua renda, sobre as coisas que comprou e sobre seus bens, como casa e carro.

Quem é o mais afetado por esse peso dos tributos no Brasil?

Curiosamente, a classe média é a que mais trabalha para sustentar o Estado. Quem ganha entre R$ 3 mil e R$ 10 mil mensais enfrenta uma alíquota de 43,01%, o que exige 157 dias de serviço (até o dia 6 de junho). Essa distorção acontece porque o sistema tributário brasileiro acaba sendo mais pesado para quem consome proporcionalmente mais da sua renda, não seguindo uma escala que sobe de forma justa conforme o ganho aumenta.

Como a carga tributária tem se comportado nos últimos anos?

Após uma leve queda entre 2019 e 2021, o peso dos impostos voltou a subir gradualmente a partir de 2023. Historicamente, o salto é enorme: em 1986, o brasileiro trabalhava apenas 82 dias para pagar impostos. Hoje, esse tempo quase dobrou. Especialistas apontam que o grande problema não é apenas o valor alto, mas o fato de a população não sentir que recebe serviços públicos de qualidade compatíveis com o que é arrecadado.

Quais foram os principais aumentos que elevaram o imposto recentemente?

Vários fatores somaram para essa alta. Entre os principais estão o aumento das alíquotas estaduais de ICMS em diversos locais, a elevação do IOF (que incide sobre empréstimos, seguros e câmbio) e a criação de novas cobranças sobre apostas esportivas online. Além disso, houve aumento no Imposto de Renda sobre o lucro que empresas distribuem aos acionistas e novas taxas sobre a importação de produtos de tecnologia.

O que é o ICMS e como ele influencia esse cálculo?

O ICMS é um imposto estadual cobrado sobre a circulação de mercadorias e serviços. Ele é um dos principais vilões do orçamento familiar porque incide sobre quase tudo: da conta de luz ao arroz no mercado. No último ano, muitos estados aumentaram as porcentagens gerais desse imposto, e novas regras para compras internacionais também encareceram o consumo, pressionando a carga tributária total para cima.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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