À procura de um novo sócio, a Imcopa, processadora de soja com sede em Araucária, não descarta a venda total do negócio. No momento, quatro empresas estudam comprar uma participação na companhia, que teve o balanço bastante afetado pela desvalorização cambial no segundo semestre de 2008 e acumula uma dívida de curto prazo de US$ 400 milhões que está sendo renegociada. Com os problemas financeiros e a impossibilidade de abrir o capital neste momento, a empresa precisa um parceiro que dê fôlego para a manutenção de investimentos.
Uma das empresas que estão no páreo é a holandesa Nidera, multinacional do agronegócio com operações fortes na Europa e na Argentina, conforme revelou a revista Veja no último sábado. O diretor operacional da Imcopa, José Enrique Marti Traver, confirma o interesse dos holandeses, mas diz que não há uma proposta firme. "Há outros três grupos estudando a entrada na Imcopa", garante. "A ideia é ter um novo sócio minoritário, mas os sócios podem considerar uma venda total se essa for a única forma de viabilizar os investimentos."
A entrada de um novo sócio faz parte de uma reformulação dos planos da companhia, que teve prejuízo de R$ 148 milhões no ano passado, em grande parte provocado por um descasamento entre dívidas em dólares e ativos mantidos em reais.
Segundo Traver, 70% da dívida já está renegociada. Dos outros 30%, cerca de metade é formada por títulos (debêntures) emitidos no mercado internacional e que são renegociados em Londres. Como nesse processo os investidores ainda não receberam os juros semestrais previstos nos papéis, a agência de análise de crédito Standard & Poors rebaixou o rating (nota) da Imcopa pela segunda vez no ano, de CCC- para D, a nota mais baixa e que significa que a dívida deixou de ser paga. De acordo com Traver, os juros foram depositados em juízo e fazem parte da negociação com os credores.
Lado bom
Apesar da necessidade de renegociar as dívidas, a Imcopa tem ativos que devem atrair investidores do setor de agronegócios. Ela se especializou em processar soja convencional e se firmou como uma exportadora para o mercado europeu. Suas fábricas, em Araucária e Cambé, têm capacidade de processar 5 mil toneladas do grão por dia e produzem itens de alto valor agregado, como farelos com alta concentração de proteína e lecitina de soja. Além disso, ela vinha investindo em novos produtos, como etanol de soja.



