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Queda da indústria em abril foi a mais generalizada desde dezembro de 2008

A única região a registrar alta na produção foi o Paraná: 1,4%. O resultado, porém, não deve ser encarado como boa notícia, já que o estado está 23,6% abaixo de seu pico de atividade

A queda na produção industrial em abril foi a mais generalizada desde dezembro de 2008, informou nesta terça-feira (9) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Das 14 regiões pesquisadas pelo órgão, 13 registraram menor dinamismo da atividade na comparação com o mês imediatamente anterior.

A única região a registrar alta na produção foi o Paraná: 1,4%. O resultado, porém, não deve ser encarado como boa notícia, já que o estado está 23,6% abaixo de seu pico de atividade. O destaque negativo foi São Paulo, onde a produção cedeu 3,6% no período, mais do que a média nacional (-1,2%).

Em dezembro de 2008, a indústria sofria os efeitos mais agudos da crise financeira mundial, agravada dois meses antes. A queda na produção foi de 12,8% contra um mês antes, atingindo 13 das 14 atividades. Em novembro daquele ano, o recuo na indústria havia se espalhado por todos os segmentos.

Desta vez, a indústria passa por uma piora gradual. Desde março do ano passado o setor vem perdendo fôlego, diante da queda nos investimentos, da elevação dos juros e do maior endividamento das famílias. Em abril de 2015, a atividade sentiu o baque da desaceleração do consumo dos brasileiros e setores que antes vinham puxando a indústria sucumbiram à menor demanda por produtos básicos, como alimentos e itens de higiene e limpeza.

“O fato é que desde 2008 a indústria não vem bem. Mas, neste começo de ano, a coisa está piorando muito e a razão para o agravamento é o próprio andamento da economia brasileira. O consumo das famílias caiu no primeiro trimestre e o mercado de trabalho não é mais o mesmo de tempos lá atrás”, avaliou o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rogério César de Souza.

Com a indústria mais diversificada e maior peso do setor de transformação, o Sudeste deve ser o mais atingido pela crise, afirmou a economista Camila Saito, da Tendências Consultoria Integrada. “Os estados do Sudeste serão os mais afetados. Não vemos um gatilho para que a produção industrial possa voltar com força nessa região. Além disso, os reajustes da tarifa de energia nesses locais foram maiores”, afirmou.

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