O consumo das famílias recuou 1,5% frente ao trimestre anterior, a maior queda neste tipo de comparação desde o quarto trimestre de 2008, quando caiu 2,1%. É também a primeira nessa comparação depois de dois trimestres de alta, de 0,2% no terceiro trimestre e de 1,1% no quarto trimestre. No segundo trimestre de 2014, houve perda de 0,7%. Quando se leva em conta o primeiro trimestre de 2014, a retração foi de 0,9%, a primeira desde o terceiro trimestre de 2003 (-0,9%). Ou seja, foram 45 trimestres em alta na comparação interanual, para, agora, cair.
Segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, a queda na demanda foi a principal causa para o desempenho negativo do PIB no trimestre.
“Essa conjuntura de juros e inflação mais altos, crédito mais caro e menos acessível, o emprego e a renda com desempenho mais fraco estão contribuindo negativamente o consumo das famílias, o que afeta demais o desempenho da economia, já que ele pesa 63% da economia. Ele é o componente mais pesado e, como ele não caía desde o terceiro trimestre de 2003, foi ele que gerou essa queda de 1,6% no PIB neste trimestre”, afirmou
Ela destaca que, no primeiro trimestre do ano passado, a média da taxa básica de juros estava em 10,4% ao ano. Já nos três primeiros meses de 2015, a Selic ficou, em média, em 12,2% ao ano. Já o IPCA, no primeiro trimestre do ano passado, o IPCA estava em 5,8%, taxa que saltou para 7,7% entre janeiro e março de 2015.
“A gente teve uma desaceleração do crescimento da renda real dos trabalhadores e do emprego. Nas duas pesquisas que o IBGE está fazendo, as duas dão a mesma tendência. As operações de crédito no sistema financeiro para pessoas físicas continua crescendo, mas abaixo da inflação. Isso tudo prejudicou o consumo das famílias”, explicou.
Desempenho PIB
O IBGE divulgou nesta sexta-feira (29) que a economia brasileira encolheu 0,2% no primeiro trimestre frente ao quarto trimestre de 2014, o maior recuo na série com ajuste sazonal (frente ao trimestre anterior) desde o segundo trimestre de 2014, quando a economia teve perda de 1,4%.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve queda de 1,6%, a maior na comparação anual (trimestre contra igual trimestre do ano anterior) desde o segundo trimestre de 2009, quando foi registrado recuo de 2,3%, e a quarta taxa negativa do PIB na comparação interanual, ou seja, na comparação com igual trimestre do ano anterior.
Apesar da sequência de taxas, Rebeca destacou que o primeiro de 2014 teve um crescimento forte e por isso a base de comparação é elevada. No primeiro trimestre de 2014, a economia subiu 2,7% frente ao primeiro trimestre de 2013. “É preciso esperar o segundo semestre para ver o que vai acontecer no ano”, disse.







