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Quem é Dario Durigan, novo ministro da Fazenda que substitui Fernando Haddad

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Novo ministro da Fazenda: Dario Durigan assume o comando da equipe econômica de Lula no lugar de Fernando Haddad (Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda)

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Reservado e de formação técnica, o ex-secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, de 41 anos, foi oficializado nesta sexta-feira (20) como o novo ministro da pasta. Ele assume o comando da política econômica do governo no lugar de Fernando Haddad, que deixa o posto para disputar o governo de São Paulo.

A escolha de Lula indica uma aposta na continuidade da estratégia fiscal adotada desde o início do governo. A linha mantida até aqui combina intensa articulação política, foco na recomposição de receitas e ausência de enfrentamento direto do crescimento do gasto público.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a nomeação é interpretada como um movimento para evitar sobressaltos. O desgaste acumulado por Haddad, os ruídos recorrentes com o mercado e o aumento do custo político de novas medidas ao longo da gestão levaram o governo a buscar um perfil negociador, capaz de preservar o arcabouço fiscal e recompor pontes com Parlamento e investidores sem turbulência.

No Planalto, Durigan é visto como um nome que “não cria crises”. Mantém relação respeitosa, ainda que não próxima, com o presidente Lula e bom trânsito com a Casa Civil. No Congresso, sua atuação é pragmática. Não integra o núcleo histórico do PT nem possui trajetória partidária relevante – o que reduz resistências ideológicas, mas exige habilidade. Sua estratégia é evitar disputas públicas.

Também na Faria Lima, a leitura sobre Durigan já está relativamente consolidada. Analistas e investidores esperam uma condução técnica e previsível, focada na execução do que já está contratado, sem mudanças bruscas na política econômica.

“Do ponto de vista econômico, não muda nada”, afirma o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. O novo ministro, diz, terá um “prazo supercurto” para apresentar qualquer iniciativa, já que o calendário eleitoral costuma paralisar a máquina pública. A tendência é de simples execução do que já foi decidido.

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Carreira de Dario Durigan foi consolidada no serviço público

Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP), com mestrado em Direito e Pesquisa Jurídica pela Universidade de Brasília (UnB), Dario Durigan é servidor de carreira da Advocacia-Geral da União (AGU) e homem de confiança de Haddad.

Foram mais de 13 anos de carreira no setor público, onde Durigan construiu um perfil técnico com forte viés político. Embora não seja reconhecido como quadro histórico do PT, sua trajetória se consolidou no partido.

Após se formar, em 2010, atuou como coordenador de projetos na AGU, o que o credenciou para o cargo de assessor da subchefia para assuntos jurídicos da Casa Civil durante a presidência de Dilma Rousseff (PT), entre 2011 e 2015.

A partir daí, estreitou sua relação com Haddad ao atuar como assessor especial na prefeitura da capital paulista entre 2015 e 2016. Após sua volta à AGU, em 2017, deixou temporariamente o governo para atuar como diretor de Políticas Públicas do WhatsApp no Brasil.

A passagem pelo setor privado ampliou seu trânsito institucional, mas não alterou seu papel central no grupo de confiança de Haddad. De volta ao governo Lula, tornou-se peça-chave na articulação das principais medidas da agenda econômica.

Atuou nos bastidores da negociação de medidas como a tributação de fundos exclusivos e offshores, a revisão parcial de benefícios fiscais e a costura política para destravar votações sensíveis ao longo de 2023 e 2024.

Antes de Lula bater o Martelo, o nome de Durigan vinha sendo defendido por Haddad interna e externamente. O agora ex-ministro fez diversos elogios públicos, afirmando que Durigan possui “conhecimento realmente abrangente” e “formação muito sólida”, que o credenciam no setor público.

Sucessão ocorre em meio a pressão sobre gastos públicos

Para Thiago Sbardelotto, analista da XP Investimentos, Dario Durigan terá desafios para colocar mudanças mais concretas em prática devido ao ano eleitoral. Segundo ele, a política econômica de 2026 já está praticamente fechada, com as principais diretrizes aprovadas pelo Congresso.

O ponto é que a escolha tende a aprofundar a principal fragilidade da gestão Haddad: a dificuldade de enfrentar o crescimento do gasto público. Embora aprovado com ampla maioria, o arcabouço fiscal não conseguiu estabilizar a trajetória da dívida, que atingiu 78,7% do PIB em dezembro, segundo dados do Banco Central.

O arcabouço só tem sido cumprido graças à exclusão de despesas da meta fiscal. Até o ano passado, o governo já somava R$ 336,9 bilhões em despesas retiradas das regras fiscais desde o início do mandato. Assim, o enfrentamento estrutural do desequilíbrio fiscal e a credibilidade da política econômica tendem a continuar sendo empurrados para depois de 2026.

"Mais do que continuidade administrativa, a sucessão de Haddad escancara o limite da autonomia técnica no atual governo, em que a palavra final permanece concentrada nas mãos do presidente Lula, que não tem sabidamente convicção pelo ajuste", diz o economista Alexandre Manoel, sócio da consultoria Global Intelligence and Analytics.

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