São Paulo Fiscais da Receita Federal encontraram indícios de lavagem de dinheiro envolvendo o esquema de fraude e sonegação de impostos do qual são acusados a Cisco Systems e a importadora Mude Comércio e Serviços Ltda. Os investigadores desconfiam que o esquema tenha sido usado para a prática de evasão de divisas simulando o pagamento de direitos autorais de softwares.
O dinheiro seria enviado para empresas offshore com sede no Caribe como se fosse uma operação para pagar os titulares da patente do software. Para a Polícia Federal essa operação seria uma forma de ocultar o patrimônio dos investigados. Os fiscais da Receita que participaram da Operação Persona ficaram entusiasmados com a qualidade dos documentos apreendidos sobre as offshore do esquema.
Essas empresas seriam responsáveis pela ligação entre as empresas fantasmas brasileiras e as americanas mantidas pelo esquema que teria causado um prejuízo de R$ 1,5 bilhão em sonegação de impostos só nos últimos cinco anos.
Além de propiciar a evasão por meio do pagamento de direitos autorais falsos, as operações com os softwares permitiam, segundo os investigadores, uma outra fraude: fingir que o valor do software era muito superior ao do equipamento importado. Neste caso, o esquema ganhava ao deixar de recolher o imposto de importação do equipamento ao mesmo tempo em que aproveitava da isenção existente para o software.
Outro ponto investigado é a real participação do executivo Carlos Roberto Carnevali, ex-presidente da Cisco do Brasil, no esquema. Investigadores têm indícios de que Carnevali estaria por trás das operações da importadora Mude. Ele é apontado pela PF como o responsável pela montagem do esquema. A Mude é uma empresa brasileira com filial nos EUA que intermediava a importação dos produtos da Cisco dos EUA para o Brasil.
Os fiscais da Receita presos na operação são todos da Bahia e de Santos (SP). Raimundo Nonato de Sá foi detido em sua casa em Santos com US$ 290 mil. Além dele, os federais detiveram o fiscal aposentado Adalberto Franco de Andrade, suspeito de intermediar a liberação de mercadorias.
Na Bahia foram presos os auditores Jair Rodrigues de Oliveira e Maurício Rocha Maia. Por fim, foi detido Silvio Rogério Ferreira Sande, que trabalhava no entreposto aduaneiro da Companhia Empório de Armazéns Gerais, em Salvador.



