
Quantos amigos você tem? No mundo atual, a maneira mais corriqueira de responder a uma pergunta como essa é recorrendo aos registros de redes sociais, como o Orkut e o Facebook. Mais recentemente, as pessoas têm descoberto que até mesmo o dinheiro pode ser seu amigo ou, no mínimo, aquelas instituições financeiras que o ajudam a ganhar dinheiro. Corretoras e outras instituições ligadas ao mercado e à educação financeira estão usando essa face social da internet para atender clientes e fazer negócios. Nada mais natural, já que a maior parte dos seus clientes opera via internet, pelos sistemas on-line conhecidos como home brokers.
Um bom exemplo dessa atuação está em uma campanha realizada no mês passado pela LinkTrade, braço da corretora Link Investimentos para operações via internet. Em março, a empresa fez uma ação restrita às rede sociais Facebook e Twitter e ao seu próprio blog (www.meumilhao.com.br), com a participação do nadador olímpico César Cielo. A corretora ajudou Cielo na montagem de uma carteira de ações, contra a qual os internautas eram estimulados a competir. Aqueles que vencessem a carteira do nadador e tivessem os três melhores desempenhos ao longo do mês receberiam como prêmio a isenção da taxa de corretagem durante um período. Deu tão certo que o próprio Facebook transformou o caso num exemplo de promoção "social" e o apresentou num evento na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo.
Segundo Mônica Saccarelli, diretora da LinkTrade, as redes sociais se tornaram um canal de comunicação importante com o investidor. "Começamos com o blog e os outros canais vieram mais tarde. Mas foi rápido, e a experiência toda é muito nova para a gente", afirma. O perfil no Twitter, por exemplo, veio no segundo semestre do ano passado, e havia amealhado 1.439 seguidores até ontem à tarde. "Temos em média 140 novos seguidores por mês no @linktrade", conta Mônica.
No princípio, a ideia era que o Twitter servisse para dar ao investidor atualizações sobre o mercado, mas isso logo mudou. Hoje ele é usado para o atendimento dos clientes e não é raro encontrar mensagens como "aguardamos documentação da ficha cadastral e comprovante de endereço para dar continuidade na abertura de sua conta". "As pessoas foram buscando o contato, conversando, foi uma transição natural", descreve Mônica. "A gente não tinha noção de como seria até que a demanda apareceu."
Carlos Vallim, diretor de Marketing e Operações da Trade Network, também não tinha ideia de como seria a reação dos usuários quando colocou no ar o perfil da Expo Money no Twitter. O evento, maior feira de educação financeira do país, entrou no site de microblogs em março, poucos dias antes do evento de Ribeirão Preto, que abriu o circuito deste ano. "Já na primeira experiência, tivemos 5% das inscrições feitas via Twitter", conta. A feira de Curitiba, realizada na semana passada, foi a segunda experiência 7% das inscrições foram feitas por esse canal. "É muito pouco tempo para um resultado tão significativo."
No caso da Trade, o Twitter acabou por virar um negócio próprio. O grupo incorporou no ano passado a Mob Mob, empresa especializada em "mídias emergentes" comunicação móvel, mídias sociais. É a Mob Mob que organizou a presença da Expo Money no Twitter e no Facebook. "Várias corretoras estão nos procurando para sermos fornecedores de serviços nessa área", conta Vallim.A Link Trade também tem uma parceira nessa área, que é a agência Pólvora Comunicação. Juntas, elas organizaram no ano passado o InvestCamp, um evento de educação financeira voltado para blogs e sites que tratam do assunto, nos moldes da Campus Party. O evento passará a ser periódico, e também conta (é claro) com um canal no Twitter, que tem mais de 230 seguidores.



