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Crise do Banco Master

Relator suspende inspeção no Banco Central e leva decisão ao plenário do TCU

Banco Central
Edifício-sede do Banco Central, em Brasília. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

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O ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), suspendeu nesta quinta (8) a inspeção no Banco Central que havia sido determinada para apurar os procedimentos adotados na liquidação extrajudicial do Banco Master, ocorrida em novembro. A decisão também encaminha o caso para análise do plenário da Corte em uma data ainda a ser definida, já que o tribunal está em recesso até o final do mês.

De acordo com a decisão, segundo apurações da GloboNews e da CNN Brasil, o ministro acatou um recurso do Banco Central questionando sua competência para autorizar sozinho uma inspeção dessa dimensão. No recurso, a autarquia sustenta que uma diligência desse porte deveria ser aprovada por um órgão colegiado do tribunal, e não por decisão individual.

A Gazeta do Povo procurou o TCU e aguarda retorno.

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Na decisão, o ministro destacou que a “dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira nesta Corte”, exige uma análise mais ampla. Para ele, o plenário é a instância adequada para “estabilizar institucionalmente a matéria” e dar uma resposta definitiva sobre os limites de atuação do relator.

Desde quarta (7) já havia a expectativa de que Jhonatan de Jesus recuaria da decisão por conta da forte repercussão principalmente no mercado financeiro, pontuando uma insegurança jurídica que o ato poderia gerar.

A possibilidade de reversão da liquidação do Banco Master também perdeu força após declarações públicas do ministro Vital do Rêgo, presidente do TCU, que condicionou tal medida a uma eventual decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). À Reuters, o magistrado afirmou que ainda não há elementos suficientes que comprovem a suposta precipitação do Banco Central no caso.

Vital do Rêgo informou ainda que deve se reunir na próxima semana com representantes do governo federal — incluindo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad — e com o presidente do a autoridade monetária, Gabriel Galípolo, para tratar do tema.

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Também na quarta (7), o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou uma representação ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, contra Jhonatan de Jesus. Vieira apontou a suspeita de abuso de autoridade nas ações do TCU relacionadas à investigação do caso Banco Master.

Em postagem em uma rede social, o parlamentar subiu o tom, classificando como “absolutamente inconstitucional” a atuação do ministro e afirmando que ela “coloca em risco a credibilidade do Banco Central e do sistema financeiro nacional”.

Desde dezembro, o TCU vem levantando suspeitas sobre a atuação do Banco Central (BC) no caso, num comportamento que vem sendo interpretado como uma tentativa de salvar Daniel Vorcaro, banqueiro com um relacionamento estreito com políticos influentes.

Decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, a liquidação do Master ocorreu paralelamente à Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investigou a emissão de títulos falsos e outros crimes financeiros. Na mesma época, o controlador Daniel Vorcaro tentou deixar o país e acabou preso.

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