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Relojoeiros suíços veem seus negócios ameaçados por genéricos... suíços

Peças vindas da Ásia derrubam o custo de produção e ameaçam status de relojoeiros nacionais, como Swatch Group e Rolex

  • Lausanne, Suíça
  • Bloomberg
 | Gianluca Colla/Bloomberg
Gianluca Colla/Bloomberg
 
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Os relojoeiros suíços têm sofrido com a alta do franco, com a demanda mais fraca dos países asiáticos e com a competição de novas tecnologias, como relógios inteligentes. Por isso, a última coisa de que eles precisam agora é uma ameaça que vem de seus próprios semelhantes. Mas é exatamente isso que tem acontecido.

O Projeto Goldgena, encabeçado pelo designer Claudio D’Amore, de 40 anos, é uma marca de baixíssimo orçamento que não vê problemas em utilizar componentes estrangeiros para fabricar seus relógios mecânicos. As partes vindas da Ásia diminuem os custos de produção, e, segundo ele, a maioria dos relógios vendidos com o rótulo de “Swiss made” que custem menos de 2,5 mil francos costumam já conter peças da região, de qualquer jeito.

Esse rótulo é uma designação oficial do governo que certifica que a maioria das partes de um relógio foram manufaturadas e montadas na Suíça. A distinção tem grande peso na indústria, tanto quanto a appellation d’origine contrôlée para o vinho francês.

“O ‘Swiss made’ é uma piada”, disse D’Amore, numa entrevista em seu escritório em Lausanne. O suíço-italiano passou 13 anos projetando relógios para marcas como TAG Heuer, Parmigiani Fleurier e Montblanc.

O Goldgena vem testando se os consumidores ainda têm interesse nos relógios feitos na Suíça, mesmo sem todo o glamour escondido dentro deles. Com essa descoberta, que pode ajudar a cortar os preços em mais da metade, a marca tem planos de vender relógios automáticos por até 700 francos, o que é um valor baixo comparado aos 4 mil de preço-base para os modelos Rolex. Ao utilizar movimento japonês, montagem chinesa e evitar intermediários, o Goldgena afirma conseguir a subcotação dos preços em relação ao restante da indústria.

Os relojoeiros têm permissão para dar aos seus relógios o rótulo de “Swiss made” se pelo menos metade do valor do movimento do relógio for originário da Suíça e se o relógio for montado no país. No ano que vem, novas exigências serão feitas de que pelo menos 60% dos custos de manufatura do relógio todo, incluindo pulseira e caixa, tenham origem suíça.

A indústria do país, que já tem quatro séculos de idade, vem sofrendo ultimamente. Há 10 meses seguidos tem havido quedas nas exportações. A Suíça é responsável por cerca de 2,5% dos relógios do mundo fabricados anualmente, mas recebe mais da metade dos dividendos do mercado de 38 bilhões de francos, pelo motivo de que os relógios suíços têm os preços mais altos, segundo Rene Weber, do Banco Vontobel.

Há três companhias que fabricam a maioria dos relógios suíços: o Swatch Group, cujas marcas incluem a Omega e Longines; Richemont, que faz a Cartier e IWC; e Rolex, que também faz os Tudor.

A competição vem aumentando, na medida em que os relógios inteligentes têm feito cair a demanda por modelos menos tecnológicos. Surgiram também sites como Borrowed Time, que emprestam relógios de luxo para as pessoas usarem em festas. As ações da Swatch caíram 27% no ano passado, enquanto as da Richemont caíram 34%.

D’Amore planeja arrecadar mais dinheiro através de crowdfunding e espera conseguir 10 milhões de francos por volta do final de setembro, para produzir entre 5 mil e 10 mil relógios, que serão vendidos online. Os planos são de que os primeiros modelos deverão sair ano que vem. Dispondo de pouco orçamento para publicidade, D’Amore tem recorrido à internet numa tentativa de atrair consumidores com vídeos marcantes no YouTube. Um deles mostra uma cena do bangue-bangue de Clint Eastwood, “Por um punhado de dólares”, com um diálogo dublado por cima que reflete o tom de rebeldia do projeto.

O Goldgena está sondando os consumidores para ver se eles têm interesse em relógios mais baratos com o rótulo “Swiss made”.

Até o momento, 63% dos visitantes do site votaram a favor, em proporções de 50% ou até 99%. Ainda assim, 348 de 947 disseram “não”, o que mostra que pode haver uma demanda dos consumidores por relógios automáticos montados na Ásia. O Goldgena irá aguardar mais algumas semanas para medir o interesse dos consumidores antes de tomar uma decisão sobre qual caminho seguir. D’Amore diz que preferiria se manter no caminho do “Swiss made”.

É mais provável que os relógios do Goldgena façam maior pressão no mercado sobre as marcas mais básicas, com preços na faixa de 500 a 2 mil francos, segundo Edouard Meylan, chefe executivo da H. Moser & Cie., cujos preços iniciais são de 15 mil.

“O risco não é tão grande, já que eu não acho que muitos clientes chegarão a ver e a assimilar o Projeto Goldgena”, ele diz. Se a marca iniciante for bem sucedida, porém, é possível que ela leve outras marcas a considerarem a ideia de abandonar o “Swiss made”.

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