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Crise do diesel

Renan Filho minimiza mobilização de caminhoneiros e vê “interesses políticos”

Ministro dos Transportes anunciou medidas para conter insatisfação, mas categoria segue em estado de alerta.
Ministro dos Transportes anunciou medidas para conter insatisfação, mas categoria segue em estado de alerta. (Foto: Michel Corvello/Ministério dos Transportes)

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O ministro dos Transportes Renan Filho minimizou a mobilização dos caminhoneiros em direção a uma paralisação em protesto impulsionado pela alta no diesel. Em entrevista ao jornal O Globo publicada nesta sexta-feira (20), ele questionou a unidade de interesses da categoria e apontou viés político-partidário na movimentação.

"Não sinto que há um movimento espontâneo, mas sim que há gente com interesses difusos, e uma parcela desses interesses também políticos, que estimulam", avaliou.

Após uma negociação com o governo federal, as entidades que representam os caminhoneiros decidiram suspender uma paralisação, mas seguem em estado de alerta. Para conseguir esse resultado, Renan Filho precisou se comprometer a fiscalizar todos os fretes do país, para combater o descumprimento do piso mínimo do frete. O ministro também prometeu que empresas que insistirem nas irregularidades poderão ser impedidas de contratar motoristas.

Na entrevista, Renan Filho também sinalizou que uma solução contra uma greve em pleno ano eleitoral poderia passar por apertos de mão com o Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte determinou que os motoristas devem parar para descanso a cada 11 horas de estrada. "Na prática, isso cria situações em que o caminhoneiro está perto de casa e é obrigado a dormir na estrada. Vamos buscar um acordo quanto a essa regra", explica.

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Guerra no Irã fechou rota importante para o petróleo e desencadeou alta no diesel. Guerra no Irã fechou rota importante para o petróleo e desencadeou alta no diesel. (Foto: Márcio Ferreira/Ministério dos Transportes)

A crise no diesel começou com uma operação conjunta entre Estados Unidos e Israel que culminou na morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Instaurado o conflito, o país islâmico fechou o Estreito de Ormuz, rota por onde escoa cerca de 20% da produção mundial de petróleo. Com isso, o preço do barril passou a subir, impactando no diesel.

Diante do cenário, o presidente Lula (PT) zerou PIS e Cofins do diesel e anunciou uma subvenção com custo de R$ 10 bilhões aos cofres públicos. O governo pagará para que as produtoras mantenham a estabilidade no preço do combustível. A expectativa é de uma redução de até R$ 0,64 por litro nas bombas.

A Petrobras aderiu ao programa, mas logo em seguida aumentou o preço do diesel em R$ 0,38 por litro. De acordo com a presidente da estatal, Magda Chambriard, o reajuste poderia chegar a R$ 0,70 caso não houvesse a adesão.

As medidas do governo buscam evitar um precedente histórico importante: a greve dos caminhoneiros de 2018. Na ocasião, as mobilizações atingiram 24 estados e o Distrito Federal, levando ao bloqueio de rodovias e a uma crise de desabastecimento no país.

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