Curitiba Mesmo com a implantação de 19 novas unidades de produção, as obras que a Refinaria Presidente Vargas (Repar) deve iniciar até o fim deste ano e que têm custo total de US$ 1,39 bilhão , devem melhorar a qualidade do ar em Araucária, na região metropolitana de Curitiba. Essa é a conclusão do estudo de impacto ambiental apresentado ontem pela Petrobrás, que foi classificado como "amplamente favorável" pelo consultor Francisco Lange, um dos responsáveis pelo estudo. De acordo com o gerente geral da Repar, João Adolfo Oderich, essa melhora será resultado da aplicação de novas tecnologias no tratamento da emissão de poluentes, dos efluentes líquidos e de resíduos sólidos.
A primeira etapa dos novos empreendimentos da refinaria é a construção de uma caldeira de vapor para processamento de petróleo e geração de energia para a refinaria, orçada em US$ 20 milhões. Oderich informou que essa obra iniciaria antes se não fosse o atraso de quase três meses provocado pela anulação da concorrência. "Os valores apresentados pelas empresas superaram em mais de 10% o nosso orçamento, o que nos obrigou a reiniciar o processo", revelou.
Entre os principais impactos ambientais negativos da fase de construção das unidades, estão a derrubada de área verde para a construção de novos acessos rodoviários e ferroviários, possível erosão e assoreamento devido à terraplanagem, aumento do tráfego de veículos, indução à migração de pessoas para a cidade e o surgimento de eventuais ocupações irregulares. Do lado positivo, são citadas a implantação de novos postos de trabalho, a movimentação da economia da região e o expressivo aumento da arrecadação de impostos. O estudo de impacto ambiental completo será apresentado à comunidade de Araucária em uma audiência pública, no dia 26 de agosto, no salão paroquial da igreja matriz.
As obras vão até 2011 e devem criar 17 mil postos de trabalho diretos e indiretos. "O impacto sócio-econômico dessas obras será muito significativo. É algo que todos os municípios desejariam atrair", afirmou o gerente da Repar. A prioridade será para mão-de-obra de Araucária e da região metropolitana, e a Petrobrás já firmou convênios com secretarias municipais e com a Secretaria Estadual de Educação para garantir aos moradores a oportunidade de trabalhar ao menos na fase de construção das novas unidades.
As mudanças mais importantes trazidas pelas novas unidades serão a ampliação de 10% na capacidade de processamento de petróleo da refinaria que passará a 220 mil barris por dia e a produção de novos produtos. Entre eles, estão a gasolina com baixos teores de enxofre, o propeno e o coque de petróleo combustível utilizado na metalurgia e nas indústrias de cerâmica, cimento e de energia, que também serve de matéria-prima para a indústria de alumínio.



