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Agronegócio

Seca dá prejuízo de R$ 3,7 bi no PR

Cooperativas preveem perdas 26% maiores que a estimativa divulgada pelo governo do estado no início da semana. Estiagem deve diminuir a safra em 6,37 milhões de toneladas de grãos

Koslovski, da Ocepar, o ministro Stephanes e o secretário Bianchini: saída é investir em culturas de inverno | Daniel Derevecki/Gazeta do Povo
Koslovski, da Ocepar, o ministro Stephanes e o secretário Bianchini: saída é investir em culturas de inverno (Foto: Daniel Derevecki/Gazeta do Povo)

As cooperativas do Paraná lançaram ontem, em Curitiba, levantamento que eleva em 26% a estimativa das perdas da agricultura com a seca de novembro e dezembro. Na presença do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, divulgaram que o estado deixará de colher 6,37 milhões de toneladas de soja, milho e feijão.

A estimativa anterior, divulgada pelo Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná na terça-feira, previa uma quebra menor, de cerca de 5 milhões de toneladas. Considerando as cotações atuais e os novos cálculos, os produtores vão receber R$ 3,7 bilhões a menos pela safra. O valor equivale a 16,7% do faturamento das 237 cooperativas do estado em 2008, que foi de R$ 22 bilhões.

O ministro Reinhold Stephanes endossou os números e, depois de analisar uma série de reivindicações, disse que medidas emergenciais serão tomadas para amenizar o impacto da seca e também da crise internacional. O governo discute a liberação de R$ 2 bilhões para incrementar o capital de giro das cooperativas, compensando a falta de crédito gerada pela crise e facilitando a comercialização da safra. Entre as demais medidas, Stephanes disse que é necessário "agilizar as vistorias no sentido de pagar os seguros e prorrogar as dívidas dos que tiveram perdas".

O Paraná é o estado brasileiro mais afetado pela seca. Diante dos novos dados, Stephanes disse que o impacto nacional será maior que o previsto. Ele revelou que o próximo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vai elevar a estimativa das perdas na safra brasileira 2008/09 de 5% (7 milhões de toneladas) para perto de 8% (11 milhões).

Estratégia

A melhor estratégia contra a seca e a crise internacional é incentivar a produção de milho safrinha e de trigo, principal cultura de inverno, disse o secretário estadual da Agricultura, Valter Bianchini. Ele participou da reunião entre o ministro e os diretores da organização que representa as cooperativas, a Ocepar. A ideia é antecipar a liberação do crédito de custeio. O Banco do Brasil autorizou o início das contratações para o milho safrinha.

Bianchini ponderou que boa parte do impacto da seca será neutralizada pelos seguros que os agricultores contratam ao tomar financiamento público. Até a última semana, 13.150 produtores já tinham recorrido a essa garantia. O Paraná está escalando 100 técnicos para a emissão de laudos, disse.

"A quebra de 6,3 milhões de toneladas é proporcional à que ocorreu por duas safras seguidas entre 2004 e 2006", disse o presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski. Segundo ele, a crise internacional e as dívidas acumuladas desde aquela época agravam a situação atual. Os representantes da Federação da Agricultura do estado, a Faep, alertaram que o custo de 2008/09 foi 30% maior que o do ciclo anterior e que, diante das perdas, boa parte dos produtores não terá como honrar não só as dívidas desta safra como também as antigas.

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