As geadas dos últimos dias causaram um estrago ainda maior na produção de trigo do Paraná, que já registrava perdas de 30% por causa da estiagem. Os técnicos ainda não tem um levantamento oficial, mas a produção do estado nesta safra deve ficar perto de 1,2 milhão de toneladas 1 milhão de toneladas abaixo da estimativa inicial. A previsão de quebra deve ficar perto de 50% do volume.
A menor produção paranaense também é sinônimo de desabastecimento do mercado interno. Primeiro produtor do país, o Paraná responde por metade da produção nacional. A necessidade de importação do Brasil deve superar a marca histórica de 60% do consumo, hoje perto de 10,5 milhões de toneladas. Como a produção brasileira deve ficar abaixo das 3 milhões de toneladas essa era a estimativa antes da geada , mais de 70% do trigo consumido deve ser importado, explica Flávio Turra, gerente técnico-econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
A boa notícia para o produtor é que com menor oferta do trigo nacional, o preço deve reagir no mercado interno. Hoje, a cotação do cereal de qualidade, no atacado, acompanha o preço mínimo de R$ 400 a tonelada. Mas durante toda a safra anterior, o valor médio foi de R$ 400/tonelada. Contudo, segundo Turra, o ganho em preço não será suficiente para compensar as perdas, ocasionadas primeiro pela seca e agora pela geada.
O agrônomo Otmar Hubner, do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da Agricultura (Seab), estima que 40% da área de trigo que ainda não foi colhida no Paraná está numa fase de desenvolvimento suscetível à geada. São aquelas lavouras em estágio de frutificação e formação de grãos. A planta já madura, em ponto de colheita, sente menos os efeitos da geada. Dos 880 mil hectares ocupados com a cultura no Paraná, entre 20 e 25% foram colhidos.
As geadas estão sendo mais intensas nos municípios do Centro-Sul, que responde por 25% da produção estadual. Nessa região, 50% das lavouras encontram-se em fase suscetível à geada. A maior participação dessa cultura está no Norte, com 40% do total cultivado. Nessa área, 30% do que ainda não foi colhido pode sofrer com a geada. No Oeste, com 35% da produção, um terço das plantas também pode ser prejudicado.
O técnico da Ocepar destaca também que o revés desta safra chega num momento em que a triticultura nacional faz um esforço para diminuir a dependência do produto importado. Ele lembra que, na safra 2003/04, a produção chegou a quase 6 milhões de toneladas. "A relação de produção e importação estava se invertendo."
Produção nacional
Em junho, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetava a safra nacional 2006/07 de trigo em 4,2 milhões de toneladas. Em julho deste ano, reduziu sua projeção para 3,4 milhões de toneladas. Em agosto, manteve sua projeção, mas com as recentes geadas, os próximos levantamentos de campo devem indicar novas perdas de safra.



