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Sem espaço, Renault não consegue crescer

Mais da metade da área da fábrica é de proteção ambiental, o que limita ampliações

Olivier Murguet, da Renault, e o governador Beto Richa na linha de montagem da fábrica: projeto consumiu R$ 500 milhões | Bruno Covello/ Gazeta do Povo
Olivier Murguet, da Renault, e o governador Beto Richa na linha de montagem da fábrica: projeto consumiu R$ 500 milhões (Foto: Bruno Covello/ Gazeta do Povo)

A Renault inaugurou ontem a ampliação da fábrica de veículos de passeio em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, que terá sua capacidade de produção aumentada de 280 mil para 380 mil unidades por ano. O projeto consumiu R$ 500 milhões e deve fazer com que a fábrica passe a produzir 60 veículos por hora, padrão já alcançado por unidades na Turquia, Romênia e Espanha. Mas a fábrica terá limitações para novas ampliações de porte no futuro.

Atualmente 60% da área da Renault em São José dos Pinhais é de preservação ambiental. E os 40% restantes já estão praticamente ocupados. "Não temos mais espaço para uma ampliação do porte da que fizemos agora. Teríamos, com organização, um espaço para dezenas de milhares de veículos. Talvez mais um produto, mas bem apertadinho", disse Olivier Murguet, presidente da Renault do Brasil à Gazeta do Povo logo após à cerimônia de inauguração.

A empresa tem opções para driblar a situação. Uma delas é adquirir áreas próximas para a construção de uma nova unidade industrial, usar parte da fábrica que é compartilhada com a Nissan dentro do mesmo complexo ou até mesmo passar a produzir na fábrica que está sendo construída pela Nissan em Resende (RJ) e que deve ficar pronta em 2014. "As fábricas são da Aliança Renault/Nissan, então essa é uma possibilidade".

O atual ciclo de investimentos, de R$ 1,5 bilhão, vai até 2016. Em geral, os projetos começam a ser discutidos dois anos antes de serem colocados em prática. "Antes precisamos que as vendas nos próximos anos façam frente aos investimentos realizados. Estamos cobertos até 2016", diz.

Ampliar a capacidade de produção nos últimos meses foi considerada uma operação de guerra dentro do grupo, que praticamente teve de construir uma "fábrica dentro da fábrica", segundo Murguet. O desafio era interromper pelo menor tempo possível a produção para não prejudicar de maneira significativa as vendas da marca no país. A produção ficou parada por oito semanas. Cerca de 40 mil veículos deixaram de ser produzidos.

Com o projeto, a fábrica de automóveis, responsável pela produção dos modelos Duster, Sandero e Logan, aumenta a capacidade de produção de 220 mil para 320 mil unidades anuais. A fábrica de comerciais leves mantém sua capacidade em 60 mil veículos por ano. Mesmo com a ampliação, a empresa continuará a operar com três turnos de produção.

Ontem, o vice-presidente do grupo para as Américas, Denis Barbier, voltou a reforçar que o Brasil vem ganhando destaque nas operações do grupo.

Após quase dez anos com resultados fracos, a operação começou a deslanchar em 2008, fruto de uma política de lançamentos mais adequada ao mercado. Em três anos, dobrou as vendas, alcançou 6,6% de participação no setor no país e transformou o Brasil no segundo maior mercado da montadora depois da França.

Os R$ 1,5 bilhão que serão investidos até 2016 incluem ainda a expansão da fábrica de motores – de 400 mil para 500 mil unidades por ano –, o lançamento da nova Master, cujo desenvolvimento absorveu R$ 200 milhões, e outros novos produtos.

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