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Londrina

Sercomtel: fraude com cartões telefônicos pode chegar a R$ 9 milhões

Esquema, capitaneado por empresa terceirizada, usava cheques sem fundo para pagar pelos cartões; sindicância interna já identificou desvio de R$ 600 mil

Empresa pagava cartões telefônicos com cheques sem fundo | Gilberto Abelha/JL
Empresa pagava cartões telefônicos com cheques sem fundo (Foto: Gilberto Abelha/JL)

O desvio ocorrido na Sercomtel com o esquema dos cartões para telefones públicos e para recarga de celular pré-pago pode chegar a R$ 9 milhões, segundo informações que constam do inquérito do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A fraude ocorreria com o pagamento pelos cartões com cheques sem fundos pela empresa terceirizada Solterc. "Nos autos [do inquérito do Gaeco] se fala em até R$ 9 milhões de desvio", afirmou o advogado Antônio Carlos de Andrade Vianna, que defende Izaltino Toppa, funcionário da empresa de telefonia que foi vítima de extorsão e está preso sob a suspeita de ter tentado matar um colega de trabalho. Toppa era o fiscal desse contrato.

O delegado do Gaeco, Ernandes Cezar Alves, confirmou a existência dessa informação no inquérito e que será investigada com mais profundidade. "São informações que surgiram, mas nada de concreto sobre esses valores. Agora, o que está sendo apurando é o valor de 600 mil dos cheques sem fundo, apurados pela própria auditoria." O delegado afirmou que pretende pedir mais informações à Sercomtel. O objetivo é "fazer um levantamento desse período para ver se constata [a ocorrência de] outros desvios ou prejuízos".

O valor de R$ 600 mil foi confirmado por uma auditoria interna da telefônica realizada em 2010, segundo o presidente da Sercomtel, Christian Schneider. "Tinha várias formas de pagamento e o cheque era uma delas. A situação dos cheques foi fácil de apurar", declarou. Questionado se o tamanho do rombo pode ser maior, ele respondeu que "não tem como afirmar isso".

O esquema

Conforme Schneider, a Solterc comprava os cartões da Sercomtel e revendia tanto no atacado quanto no varejo. Para quitar esses cartões, a empresa repassava cheques pré-datados, com vencimento em 10 dias. Uma das formas de desvio foi a aceitação pelos fiscais do contrato de cheques sem avalistas – o que dificultaria a cobrança no caso da falta de fundos – e a concessão de prazos superiores aos 10 dias exigidos no contrato. A Solterc trabalhou com a Sercomtel durante um ano, entre 2008 e 2009.

Em valores atuais, o desvio seria de cerca de R$ 780 mil, mais que o faturamento mensal da Sercomtel com cartões atualmente, que é de R$ 600 mil. Conforme Schneider, hoje 70% das recargas são feitas por meios eletrônicos. De acordo com o diretor-financeiro da Sercomtel, Claudemir Molina, a empresa criou um grupo de trabalho para "auditar todo o processo" que envolve a venda de cartões, para saber se existe mais algum furo que possa resultar no desvio de recursos.

O JL não conseguiu localizar os responsáveis pela Solterc ontem para comentar o assunto.

Fraude não poderia se feita por "funcionário pequeno"

Izaltino Toppa não teria responsabilidade pelo rombo provocado pela compra de cartões para telefones púbicos e para recarga de pré-pagos porque sua função na Sercomtel não permitia "acesso ao cofre". É o que garante o advogado Antônio Carlos de Andrade Vianna, que defende Toppa. "Estão abrindo sindicância à toa, todas as contas da Sercomtel e do setor dele foram aprovadas pela Controladoria e por outros órgãos, não há nenhuma irregularidade", declarou Vianna.

Sem influência

Segundo o advogado, o suposto desvio que pode variar de R$ 600 mil a R$ 9 milhões não poderia ser feito por um "funcionário administrativo pequeno como Izaltino". "Ele tinha uma mesinha, não é nada forte, não tem a chave do cofre e nem acesso à contabilidade para tirar R$ 600 mil da Sercomtel. Isso não diz respeito a ele", declarou.

O advogado lembrou que a sindicância feita para apurar irregularidades não era "contra" Toppa e não identificou "má-fé" na conduta dele. "O fundo da questão é essa, esse problema com a empresa terceirizada. Fora isso pode investigar o que quiser que não vai chegar a fraude nenhuma. Não naquele setor", concluiu. Quanto à denúncia de tentativa de homicídio, Vianna negou que seu cliente tenha tentado matar um colega com quem tinha bom relacionamento.

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