
Operadora de telecomunicações com sede em Londrina, a Sercomtel já estima uma perda no patrimônio de aproximadamente R$ 143 milhões ao longo dos últimos dez anos. O acumulado do passivo, segundo o presidente da companhia, Christian Schneider, deve considerar ainda nos próximos dias a falência de duas empresas de tevê a cabo ambas sob o nome Adatel , que funcionam em São José (SC) e Osasco (SP). Com isso, a cifra pode chegar a R$ 200 milhões. "Vamos ter um último balanço complicado e tentar reequilibrar as contas em 2014", afirma Schneider.
Fundada há 45 anos, a Sercomtel atua em 62 cidades. A empresa também está entre os 100 maiores contribuintes do ICMS do Paraná em 2013, conforme o governo do Estado, ocupando a 42ª posição no ranking. Na busca pela readequação do caixa, a companhia tem lançado mão de uma série de medidas, como demissões, corte de gastos internos e fusão de diretorias, de sete para cinco. As ações são reflexo de um histórico de prejuízos contabilizados há anos pelo caixa da diretoria. De 1996 a 2012, a empresa só teve lucro operacional em dois exercícios. Um dos impactos disso foi a saída, de 2012 para cá, de cerca de 150 empregados.
No ano passado, segundo a Sercomtel, 99 funcionários aderiram ao Programa de Sucessão e Desligamento Voluntário da empresa. Neste ano, um Plano de Desligamento Voluntário teve adesão de 57 pessoas. A companhia espera que as demissões gerem uma economia de R$ 650 mil por mês, a partir de março de 2014, e de mais R$ 572 mil, a partir de abril. Ao mesmo tempo, a Sercomtel também mandou para casa 38 funcionários sem justa causa. Destes, 15 saíram nesta semana.
A medida, amparada na interpretação de que estes trabalhadores não têm estabilidade por não terem feito concurso público, faz com que, somada às outras demissões, a empresa tenha cerca de 10% a menos de recursos destinados à folha de pagamento. "Hoje, são 34% da receita voltada à folha de pagamento, um percentual bem acima das outras empresas de telecomunicações", pontua.



