
Os serviços foram os principais responsáveis pela recuperação do mercado de trabalho em agosto. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o país gerou 101 mil empregos com carteira assinada no mês passado, dos quais 71 mil (70% do total) nesse setor o único, entre os principais da economia brasileira, a contratar mais que no mesmo período do ano passado. Em agosto de 2013, a prestação de serviços havia preenchido 64 mil vagas, cerca de 50% do total daquele mês.
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Os pouco mais de 100 mil postos de trabalho criados pela economia brasileira em agosto não são um resultado espetacular. O número ficou abaixo do registrado em agosto de 2013 (128 mil) e bem distante do melhor resultado da série histórica para esse mês (299 mil, em 2008). Mesmo assim, não deixa de ser um alento, tendo em vista o fraco desempenho do mercado formal nos últimos tempos em junho, o país criou apenas 25 mil empregos formais e, em julho, 12 mil.
O dado também superou as expectativas de economistas do mercado financeiro, que esperavam a geração de, no máximo, 95 mil vagas. "Apesar de toda essa campanha pessimista, de criar uma imagem de que o país está quebrado, o Brasil gera emprego", disse ontem o ministro do Trabalho, Manoel Dias. Para ele, o dado de agosto reflete uma retomada do crescimento econômico e já configura uma tendência.
Economistas discordam dessa avaliação. Para Marcelo Curado, professor da UFPR, "não se pode falar em recuperação a partir de uma única variável, referente a um único mês". "Na verdade, o quadro que temos hoje ainda é recessivo, conforme vários indicadores. O Caged de agosto trouxe um bom sinal, mas transitório. Precisaríamos ver uma série mais longa, mais consistente, de crescimento. Se observarmos os números do mesmo período do ano passado, ainda há queda na geração de empregos."
Segmentos
Dentro do setor de serviços, as áreas que mais contrataram em agosto foram a de ensino (22 mil vagas) e alojamento e alimentação (19 mil). "O setor de serviços é o que sofre menos concorrência de importações. Além disso, áreas como educação e saúde privada têm crescido muito por causa da elevação da renda da população, que mudou de patamar nos últimos anos", avalia Anselmo Santos, diretor do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), da Unicamp. "Por outro lado, serviços de apoio à indústria, como os transportes, já não crescem tanto."
O comércio, reerguendo-se da ressaca da Copa e já com vistas às vendas de fim de ano, contratou 41 mil funcionários. A indústria voltou a cortar pessoal, demitindo pouco mais de 4 mil pessoas em agosto. "Para reverter essa queda da indústria, só com um crescimento mais robusto da economia. Em momentos como o atual, de competição acirrada no mercado internacional, dólar relativamente barato e mercado interno fraco, ela tende a destruir empregos", diz Santos.



