Os setores imobiliário e de construção civil estão "bombando". Das cinco estréias na Bolsa de Valores de São Paulo neste ano, quatro foram de empresas desses ramos. A Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário e a Rodobens Negócios Imobiliários estrearam juntas, no dia 31 de janeiro. No dia seguinte foi a vez da Tecnisa lançar seus papéis. Na última quarta-feira foi a vez da Iguatemi Shopping Centers estrear na Bolsa brasileira. E pelo menos outras cinco empresas da área já manifestaram interesse em abrir capital neste ano, segundo fontes do setor.
Juntas, as novatas levantaram em um mês R$ 2,5 bilhões em suas ofertas iniciais de ações (os chamados IPOs, na sigla em inglês). Contabilizado o lançamento de todo o tipo de papéis do setor entre ações, debêntures e outros títulos , o volume alcançou R$ 2,69 bilhões com estréia da Iguatemi. "Isso é quase a metade do volume total do ano passado, que foi de R$ 5,9 bilhões. É um espelho bastante significativo do bom momento que vive o setor", sugere Amaryllis Romano, da consultoria Tendências.
A analista elenca três fatores para explicar o bom momento: inflação controlada, juros em baixa e renda da população em alta. Este cenário, segundo ela, favorece bastante os investimentos de longo prazo, caso do ramo imobiliário. "Os setores imobiliário e de construção civil tiveram alguns dos melhores desempenhos nos últimos anos e vão mantê-los nos próximos", avalia.
Marco Melo, da Ágora Sênior, aponta ainda que a oferta de crédito no setor imobiliário é bastante elevada, e que existe a tendência de queda de juros ao longo do ano. "Com isso, tudo leva a crer que aquilo que as empresas colocaram como meta de rendimento neste ano vai ser atingido." O economista frisa que as avaliações referem-se exclusivamente ao setor imobiliário, e não às empresas em questão, já que a Comissão de Valores Mobiliários proíbe que corretoras de valores comentem sobre as empresas logo após estréia na Bolsa.
Amaryllis, da Tendências, considera ainda que investidores estrangeiros, bastante acostumados a aplicar em empresas do ramo imobiliário, estavam sem mercados com grandes possibilidades de ganho em outros países. "Isso faz do Brasil a bola da vez neste segmento", avalia.
Até o momento, todos os papéis das empresas do setor lançados neste ano tiveram alta. No fechamento do pregão de sábado, as ações da Rodobens (RDNI3) ostentavam valorização de 17,95% desde a estréia, no dia 31 de janeiro. Já os papéis da Camargo Corrêa (CCIM3) acumulavam perda de 5,10%. As ações de código TCSA3, da Tecnisa, estão praticamente estáveis valorizaram 0,38% desde a estréia, no dia primeiro. E os papéis de código IGTA3, da Iguatemi, sofreram alta de 9,57% desde a quarta-feira.
O ingresso da Iguatemi, esta semana, elevou para 99 o número de companhias que participam dos segmentos especiais da Bovespa, sendo 49 no Novo Mercado, 14 no Nível 2 e 36 no Nível 1.



