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Alessio Alionço, CEO do Pipefy: administrador com um pé na programação. | Eduardo Macarios/Divulgação
Alessio Alionço, CEO do Pipefy: administrador com um pé na programação.| Foto: Eduardo Macarios/Divulgação

O curitibano Alessio Alionço tem “apenas” 28 anos, mas pode-se dizer que já é uma figurinha carimbada entre os empreendedores da capital. Logo após completar o curso de Administração na Universidade Federal do Paraná (UFPR), lançou o site Acessozero, um portal de compras com desconto que chegou a atingir mais de um milhão de usuários e acabou sendo vendido em 2011 para o maior concorrente. Largou então o primeiro “filho” e, com o dinheiro no bolso – o custo total do negócio nunca foi revelado –, decidiu voltar a investir em outra empreitada digital.

O resultado do dinheiro e do tempo investidos, ao longo de dois anos de testes, pesquisas, validação com usuários e exatamente 100 atualizações, chegou ao público há duas semanas, na forma do Pipefy. A plataforma traz uma série de soluções de gestão que prometem facilitar a vida principalmente dos pequenos e médios empresários, que não têm recursos nem conhecimento para abraçar ferramentas já consolidadas no mercado.

Alionço foi um dos jovens empresários que participou do Papo U 2015, promovido pela Gazeta do Povo e Unicuritiba no fim de maioPedro Serapio/Gazeta do Povo

Chamados de “modelos de processos”, os programas podem ser baixados separadamente e atendem rotinas específicas das empresas, como contratação de pessoal, gestão de tarefas, helpdesk, contas a pagar e receber e pedidos de reembolso. A ideia é que o gestor abandone de vez as planilhas do Excel e outros quebra-galhos para concentrar seus processos nesses modelos, que servem também como guia, orientando os empresários menos tarimbados por meio de passo a passos para garantir que atividades rotineiras e necessárias não criem dor de cabeça.

“Quando lançamos a primeira versão (no fim de 2013), sabíamos que tinha de ter um design legal e uma boa usabilidade. Mas, ao conversarmos com usuários, descobrimos que a maior dificuldade não era usar a ferramenta, mas sim que o empreendedor não tinha know how em gestão de processos. Então preparamos templates prontos, baseados nas melhores práticas. Pegamos as dores que toda empresa tem e resolvemos com modelos prontos para baixar”, relata Alionço.

Visibilidade

A Pipefy debutou no mercado com o pé direito. Logo após o lançamento, no fim do mês passado, a startup foi destaque no Product Hunt, site que é uma das principais referências do ecossistema de tecnologia e inovação no Vale do Silício e que reúne avaliações de usuários sobre novas startups e produtos. A página da startup no site ganhou recomendações positivas de 375 usuários (até a noite desta segunda-feira) e tem sido usada para tirar dúvidas e coletar insights dos membros da comunidade.

Empurrão

A proposta chamou a atenção de investidores mesmo antes de estar liberada para o público. No início do ano, a Pipefy recebeu um aporte de dois fundos de investimento do Vale do Silício, nos Estados Unidos. O valor dos recursos, que não é divulgado, é o que mantém hoje a startup funcionando, com cinco funcionários, incluindo o fundador.

O empurrão dos fundos gringos não veio à toa. Desde o início, Alionço focou no mercado norte-americano e hoje, dos 3 mil usuários que já baixaram os modelos, a grande maioria atua nos EUA. “Muitos empreendedores daqui, por o Brasil ser um mercado local grande, acham que podem ser bem sucedidos atuando só no país. Mas em se tratando de mercado digital, você sofre competição de todos os lugares do mundo. Não dá pra fazer um Netflix brasileiro”, reforça, explicando a escolha por mirar lá fora desde o início.

Negócio

Hoje, as soluções da Pipefy são gratuitas para utilização por até cinco usuários da empresa – se o gestor adiciona uma sexta pessoa para usar a ferramenta, passa a ser um usuário pago, com uma mensalidade de R$ 30 por pessoa. O valor contempla o uso dos nove modelos disponíveis na plataforma.

A previsão é que, mesmo com a startup ganhando visibilidade, 90% dos usuários permaneçam como gratuitos – no bolo, estão os pequenos empresários e gestores que utilizam as soluções em departamentos específicos da empresa. “Mas, à medida que essa empresa for crescendo, esse empresário e seu time se tornarão usuários pagos. É até uma estratégia nossa. Queremos que ele teste os modelos em um departamento e depois leve pra outros. O empresário não vai pagar por algo que não sabe se vale mesmo a pena”, relata Alionço.

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