Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Desenvolvimento

Sul perde grandes projetos para estados do Sudeste e Nordeste

Curitiba – Fora da rota dos grandes investimentos da indústria de base, a Região Sul foi a que recebeu o menor volume de recursos para a expansão da capacidade de produção em 2004, no país. Foi confirmada no ano passado a aplicação de pelo menos US$ 1,137 bilhão nos três estados sulistas. O Paraná ficou com a menor parcela, de US$ 234 milhões. Isso representa pouco menos de 1% dos US$ 25 bilhões previstos para projetos de construção de fábricas com previsão de entrarem em funcionamento até 2010 em todo o Brasil.

Os valores foram apresentados nesta semana em um estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), com base em uma compilação feita em 2004 pelo Ministério do Desenvolvimento (MDIC). Foram considerados somente os investimentos para a instalação de capacidade de produção na indústria da transformação. Modernização de linhas e lançamentos de produtos ficaram de fora, apesar de influenciarem diretamente o crescimento do setor. O objetivo do Iedi era apresentar um balanço dos projetos em andamento no país.

As regiões Sudeste e Nordeste ganharam com folga a disputa pela preferência da indústria. A liderança é dos quatro estados da área mais industrializada do país – São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro – com US$ 10,1 bilhões em projetos. O Nordeste teve US$ 6,2 bilhões, com destaque para a Bahia e o Maranhão.

A posição da Região Sul diagnosticada pela pesquisa é influenciada pelo estado de letargia na evolução do Mercosul, segundo o economista Júlio Gomes de Almeida, diretor do Iedi. "A reação da economia da Argentina, após a crise de 2001, só começou a ser sentida no ano passado", explica. Segundo ele, a economia do Sul tende a ficar menos dinâmica quando há problemas no bloco.

A tese de Almeida é complementada pelo fato de que ocorre o direcionamento de grandes projetos em setores intensivos no uso de recursos naturais, como siderúrgicas e fábricas de papel e celulose, para o Sudeste e Nordeste. Outro fator é que o ciclo de investimentos anterior, na segunda metade da década de 90, beneficiou o Sul com investimentos de longo prazo que ainda não estão com a capacidade esgotada.

"A criação do Mercosul fez com que o Sul fosse agraciado com um volume de investimentos muito grande nos anos 90", lembra o economista Gilmar Mendes Lourenço, coordenador do Curso de Ciências Econômicas da FAE Business School. Na época, os estados da região entraram na guerra fiscal e conseguiram atrair empreendimentos de peso, como as montadoras de São José dos Pinhais, no Paraná, e de Gravataí, no Rio Grande do Sul. Agora, estes mesmos estados deixaram de oferecer vantagens tão atraentes. No Nordeste isso ainda ocorre.

Apesar de o Paraná ter ficado atrás dos vizinhos do Sul, Lourenço não vê uma perda de competitividade do estado diante de outras áreas. Para confirmar a tendência seria necessário um estudo mais amplo, já que o Iedi não levou em consideração projetos de empresas maduras para lançamentos e modernização. Com isso, por exemplo, ficou de fora da conta um investimento de US$ 128 milhões que está sendo feito pela Bosch para montar um novo sistema diesel em Curitiba. Outro exemplo é o gasto de US$ 182 milhões previsto pela Renault para fabricar o Logan no Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.