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2016

Superávit de R$ 30 bilhões não será suficiente para aquecer as exportações

Mesmo com o câmbio desvalorizado, embarques brasileiros para o exterior ainda devem patinar neste ano. Novos acordos comerciais com vizinhos podem trazer alívio para a indústria automotiva

Novos acordos comerciais com países sul-americanos, além da Argentina, favorecerão as vendas externas de automóveis. | Pedro Danthas/Volkswagen
Novos acordos comerciais com países sul-americanos, além da Argentina, favorecerão as vendas externas de automóveis. (Foto: Pedro Danthas/Volkswagen)

Se há um fator que pode fazer diferença no cenário econômico deste ano é o comércio exterior. Na avaliação de boa parte do mercado, o superávit da balança comercial brasileira deve ter uma boa expansão em 2016, praticamente dobrando em relação ao ano passado. Na média, as estimativas apontam para um saldo positivo de US$ 30 bilhões, ante os US$ 15 bilhões alcançados em 2015.

A notícia ruim é que, em grande parte, esse desempenho ainda será influenciado pela queda nas importações, como aconteceu no ano passado. José Augusto Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), avalia que o saldo da balança comercial terá um superávit de US$ 29,2 bilhões.

A projeção aponta para exportações de US$ 187,4 bilhões, queda de 1% em relação a 2015, enquanto as importações estão previstas em US$ 158,2 bilhões, também em queda (9,5%) em relação ao ano passado.

A redução no acumulado do ano das exportações deve se dar basicamente decorrente das commodities, principalmente da soja, minério de ferro e petróleo, diz Castro. E a retração acontecerá em função do preço e não da quantidade embarcada. “Imaginamos que a soja deva aumentar a quantidade vendida, mas o preço vai cair, assim como o petróleo”, afirma o presidente da AEB.

Ao mesmo tempo, o câmbio desvalorizado deve influenciar positivamente os embarques de produtos manufaturados. A previsão da AEB aponta que as vendas externas de industrializados irão aumentar 3,1% neste ano, puxadas, principalmente, pela alta de 5% nas exportações de manufaturados, em particular para os Estados Unidos e, no segundo semestre, um fortalecimento da vizinha Argentina.

Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro, a perspectiva é que novos acordos levem a um aumento na venda externa de produtos industrializados, especialmente automóveis, o que beneficiaria diretamente o Paraná. Em outubro, o país assinou um acordo com a Colômbia para zerar o imposto de importação para veículos de passeio e comerciais leves.

Agora o Brasil espera concluir um acordo automotivo com o Paraguai no primeiro trimestre do ano, enquanto alguns ajustes serão feitos no pacto existente com a Argentina. O Paraguai é o único membro do bloco sul-americano com o qual o país não tem um acordo neste setor. Segundo Monteiro, o acordo gerará um processo gradual de flexibilização do comércio.

Combinação negativa

Embora a valorização do dólar tenha surgido como uma “janela de oportunidade” para as exportações, os produtos brasileiros têm encontrado dificuldade em ganhar mercado no exterior. Boa parte disso se deve à perda de competitividade da produção nacional, que mantém exclusivamente no câmbio seu fator positivo nas vendas para o exterior.

O impacto positivo da alta do dólar sobre as exportações de manufaturados também é limitado pela perda de poder de compra dos outros países da América do Sul, principal mercado do Brasil. Além disso, a desvalorização de 25% do euro frente ao dólar tornou as exportações brasileiras caras na União Europeia, que viram seus produtos ganharem competitividade.

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