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Varejo

Supermercados parcelam até a compra de alimentos

Em algumas redes, pagamento pode ser feito em até dez vezes sem juros. Outras ainda restringem a possibilidade a datas comemorativas

Parcelamento vai garantir uma ceia de Natal completa, diz Valdete | Hugo Harada/ Gazeta do Povo
Parcelamento vai garantir uma ceia de Natal completa, diz Valdete (Foto: Hugo Harada/ Gazeta do Povo)
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Novos produtos estão ganhando espaço na fatura do cartão de crédito dos consumidores. Na tentativa de atrair um número maior de clientes, as redes de supermercados e hipermercados estão permitindo até a compra parcelada de produtos alimentícios. Em alguns casos, a opção vale apenas para datas comemorativas, mas já há quem ofereça o pagamento em prestações o ano todo.

Não se sabe se há relação entre os dois movimentos, mas, ao mesmo tempo em que os alimentos são apontados como os vilões da inflação nos últimos tempos, o parcelamento vem conquistando a clientela e ajudando a manter as vendas em alta. "Os clientes observam a facilidade e grande parte utiliza o parcelamento. Nós temos aumento significativo das vendas", afirma o gerente de mar­­keting do Super Muffato, Jaime Alves.

A educadora Valdete Bueno utiliza o parcelamento há dois anos. Segundo ela, dividir o pagamento da compra de alimentos possibilita que parte do orçamento familiar seja destinada para outras prioridades. "Eu opto pelo parcelamento porque não tem juros. E, com isso, consigo comprar outras coisas, como roupas para minhas filhas."

Para não comprometer as finanças, Valdete estabelece limite para compras parceladas. Dessa forma, segundo ela, o risco de assumir dívidas é eliminado. "Estabeleço o limite de R$ 250 por mês para a compra de comida parcelada. Passou disso, compro à vista, para não complicar", afirma. Graças ao pagamento em prestações, a ceia de Natal na casa da educadora será farta. "A possibilidade de parcelar vai contribuir para uma ceia completa. Minha casa vive cheia de gente. No Natal será ainda mais."

Cartão próprio

A rede Super Muffato parcela em até três vezes sem juros – com parcela mínima de R$ 10, no cartão Super Muffato – todos os itens alimentícios. Todavia, essa facilidade só ocorre em datas comemorativas. "Nós só abrimos essa possibilidade na Páscoa, no fim de ano e no aniversário da rede. São momentos de maior consumo e as pessoas podem aproveitar as ofertas", diz Alves.

Segundo ele, o parcelamento não é estendido durante o ano por causa dos juros. "Quando fazemos isso, estamos assumindo os juros financeiros em benefício do cliente. Se fosse o ano todo, aumentaria o custo do produto", explica.

A rede de supermercados Condor também parcela alimentos – e durante o ano todo. As regras são as mesmas da concorrente Muffato: em até três vezes sem juros, com parcela mínima de R$ 10, no cartão próprio. "No cartão Condor, o custo da operação é baixo e não precisa aumentar o preço. Se fosse em outro cartão, o custo seria alto e não compensaria. É um bom negócio vender parcelado, pois as pessoas acabam comprando mais", diz o diretor administrativo e financeiro do Condor, Wanclei Said.

Segundo ele, as compras parceladas ocorrem principalmente na segunda quinzena do mês, quando o salário da maioria das pessoas já está no fim. "Até o dia 10, as pessoas ainda têm salário e não parcelam. Quando acaba e elas precisam comprar alimentos, a alternativa é financiar. Já virou hábito entre a população a compra dessa forma", afirma. Ainda de acordo com Said, os índices de inadimplência não preocupam a rede, porque os números estariam dentro da média do mercado.

Outras redes de supermercados também permitem o parcelamento. Nas lojas da rede Extra, é possível parcelar as compras em até dez vezes sem juros, no Cartão Extra, dependendo da categoria do alimento. Nas outras bandeiras de cartões de crédito, o pagamento pode ser feito em até quatro vezes sem juros. O Carrefour, por sua vez, permite o parcelamento em até três vezes sem juros, no cartão próprio, mas apenas para aves natalinas e bacalhau.

Inadimplência

Se não incomoda outros supermercados, no Super Dip a inadimplência no parcelamento de alimentos incomodou a ponto de a rede desistir de oferecer a modalidade neste Natal, como ocorria até o ano passado. Segundo o gerente comercial da rede, Adelcio Daniel, mesmo sabendo que a ação atrairia consumidores, questões financeiras impediram a viabilidade do processo. "O assunto foi discutido, mas decidimos por não fazer. O possível ganho não valeria em razão do custo da operação e da inadimplência do cartão", explica.

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