
As taxas médias de juros dos empréstimos pessoais e do cheque especial registraram queda pelo sexto mês consecutivo, de acordo com pesquisa da Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-SP) divulgada ontem. O levantamento mostra que, no empréstimo pessoal, a taxa média cobrada pelos bancos pesquisados caiu de 5,57% para 5,52% ao mês em junho, uma diminuição de 0,05 ponto porcentual. No cheque especial, a taxa média cedeu de 8,89% para 8,87% ao mês, queda de 0,02 ponto porcentual.
Ainda que os índices tenham caído em ritmo menor do que o observado em maio, a pesquisa contempla um período anterior à nova queda da taxa básica de juros (Selic), determinada pelo Banco Central na semana passada (de 10,25% para 9,25%). Assim, analistas do setor preveem continuidade da queda dos juros para a pessoa física nos próximos meses. Resta saber, no entanto, quando esta queda vai ocorrer de forma mais intensa.
Mesmo com os últimos cortes, a taxa de juros no Brasil ainda está entre as maiores do mundo. O ranking da taxa real descontada a inflação para os próximos 12 meses elaborado ela consultoria UpTrend mostra a China em primeiro lugar (6,9% ao ano), seguida pela Hungria (5,9%) e pelo Brasil (4,9%).
O coordenador da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Oliveira, avalia que a tendência atual de queda na Selic, somada à perspectiva de retomada da economia, deve se traduzir em novos cortes dos juros para o consumidor. "Está na hora de os bancos fazerem a mesma leitura que o Banco Central está fazendo: o ambiente econômico está melhorando, com menor risco de desemprego e retomada do crescimento produtivo no segundo semestre", diz.
Ele considera que, ainda que lenta, a participação dos bancos públicos nesse processo de queda dos juros foi essencial. "Isso foi percebido mais facilmente durante o estouro da crise", diz Oliveira. Ele explica que, naquele momento, os bancos privados viram aumento de risco de inadimplência e reajustaram as taxas para cima. Os bancos públicos também seguiram a tendência, mas em seguida começaram a reduzir taxas, e ganharam participação no mercado de empréstimos. "Os bancos privados perceberam sua participação no mercado diminuindo e seguiram a tendência de queda [dos juros]. Eles agora estão correndo atrás do que perderam", diz Oliveira.
Em nota, a diretoria do Procon-SP também entende que haverá continuidade na queda das taxas. Ela lembra que o Banco Central já identificou sinais de recuperação da economia, mas que esta recuperação está sujeita a incertezas. Esse panorama, segundo o Procon-SP, poderia indicar que o desempenho da economia brasileira seguirá abaixo do potencial durante um bom tempo, o que justificaria uma continuidade das reduções dos juros básicos.
Novas taxas
A pesquisa de junho do Procon-SP aponta que, dos dez bancos pesquisados (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Nossa Caixa, Real, Safra, Santander e Unibanco), a Caixa Econômica Federal foi o banco que apresentou as menores taxas de juros para as duas modalidades de crédito: 4,39% ao mês para o empréstimo pessoal e 6,79% para o cheque especial.
A taxa mais alta do empréstimo pessoal foi a do Itaú, a 6,81% ao mês, e a do cheque especial foi a do Safra, a 12,3% mensais. Dos dez bancos, quatro (Safra, Unibanco, Banco do Brasil e Nossa Caixa) reduziram suas taxas no empréstimo pessoal, enquanto os demais mantiveram os juros praticados em maio.
No cheque especial, três reduziram suas taxas (Banco do Brasil, Unibanco e Nossa Caixa) e os demais mantiveram os níveis do mês passado. Na pesquisa do mês anterior, praticamente todos os bancos haviam reduzido suas taxas.




