
Ouça este conteúdo
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou uma série de falhas na gestão da Casa da Moeda do Brasil, estatal responsável pela produção de cédulas, moedas, passaportes e outros documentos de segurança. A análise apontou problemas de transparência, controle de contratos, administração de estoques, cobrança de dívidas e gestão de processos judiciais, além de pendências ambientais e dificuldades para avaliar a rentabilidade de algumas atividades.
A fiscalização relatada pelo ministro Walton Alencar Rodrigues examinou operações que somaram aproximadamente R$ 1,37 bilhão e o cumprimento da Lei das Estatais. O trabalho foi realizado entre abril e outubro de 2024 e o resultado foi julgado pelo plenário do TCU no último dia 7 de outubro.
Apesar das deficiências, o tribunal constatou que a estrutura dos principais órgãos de governança da empresa atende às exigências legais. As falhas se concentram, sobretudo, na comprovação de resultados, na divulgação de informações e na eficiência de processos administrativos e operacionais.
A Gazeta do Povo procurou a Casa da Moeda do Brasil para se pronunciar sobre a auditoria e aguarda retorno.
Um dos principais problemas encontrados pela auditoria do TCU envolve a rentabilidade dos negócios da Casa da Moeda. Embora a estatal tenha registrado lucro líquido de R$ 202,5 milhões em 2023, a análise identificou atividades deficitárias e incompatibilidade entre custos de produção e preços de venda em determinados segmentos.
A fiscalização também apontou que a estatal enfrenta dificuldades para receber pagamentos de clientes. Segundo o relatório, a inadimplência está concentrada em poucos devedores, principalmente em contratos de longo prazo e de exportação, o que exige reservas financeiras para cobrir possíveis perdas e pode comprometer a liquidez da empresa.
“No campo da eficiência e sustentabilidade, os achados revelam preocupações legítimas quanto à viabilidade econômica de determinados segmentos de negócio, à gestão de estoques e à inadimplência concentrada”, diz trecho da decisão tornada pública nesta quarta-feira (14).
VEJA TAMBÉM:
O TCU também identificou deficiências no acompanhamento de processos cíveis, trabalhistas e tributários, com normas desatualizadas, registros inconsistentes, ausência de um sistema adequado para acompanhar as ações judiciais e falhas na estimativa dos valores que a empresa poderá ter de pagar em eventuais condenações.
Outro problema envolveu a venda e a doação de bens considerados inservíveis, em que três leilões analisados não tiveram editais publicados no portal institucional, com avaliações formais dos bens. O relatório, porém, não constatou subavaliação dos itens negociados.
Diante das constatações, o plenário do TCU determinou que a Casa da Moeda apresente, em até 60 dias, um plano de ação com prazos, responsáveis e metas para corrigir as falhas apontadas. O tribunal também prevê o monitoramento das providências para verificar se as medidas adotadas produzem resultados.
“Diante desse cenário de atualização, reforço a necessidade de que a CMB elabore plano estruturado de gestão de riscos, detalhando metodologia, prazos e medidas concretas para adaptar seus produtos e serviços a essa nova realidade”, completou o relator.
A decisão não representa uma condenação de gestores por desvio de recursos. O objetivo é corrigir deficiências de governança, transparência e eficiência administrativa identificadas na fiscalização.








