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Negociação

Telefônica faz oferta de R$ 20 bi pela GVT

Grupo espanhol quer ampliar participação no mercado de telefonia fixa e banda larga no Brasil. Controladora diz que vai avaliar proposta

A GVT é controlada pela francesa Vivendi desde 2009 | Antônio More/ Gazeta do Povo
A GVT é controlada pela francesa Vivendi desde 2009 (Foto: Antônio More/ Gazeta do Povo)

A Telefônica do Brasil, dona da Vivo, apresentou ontem uma proposta de compra da Global Village Telecom (GVT), pertencente ao grupo francês Vivendi, por R$ 20,1 bilhões. A oferta, feita em conjunto com a espanhola Telefónica S/A, propõe o pagamento de R$ 11,962 bilhões à vista e o restante em ações representativas de 12% do capital social da empresa brasileira após a aquisição da GVT.

Em nota, a Vivendi enfatizou que nenhuma das suas subsidiárias está à venda, mas informou que vai avaliar a proposta. Para analistas, a declaração reforça a tese de que o conglomerado francês está disposto a ouvir as propostas de outras companhias, o que pode gerar um leilão pelos ativos da GVT.

Considerada uma estrela do setor de telecomunicações, a GVT, que tem sede em Curitiba, é cobiçada no mercado desde que a Vivendi, que controla a empresa desde 2009, manifestou interesse em se desfazer das operações, há cerca de dois anos.

"Quem levar a GVT se fortalece no mercado porque é uma empresa com uma boa presença no país, participação significativa em banda larga e televisão por assinatura, bons resultados e que permitirá ao seu comprador agregar clientes fora de São Paulo ", diz Eduardo Tude, presidente da Teleco, consultoria especializada no setor.

Valor "atraente"

Para Lucas Marins, analista da corretora Ativa, a oferta foi bastante "atraente", ao representar dez vezes a geração de caixa da GVT. "Embora a empresa possa receber outras propostas, elas dificilmente ficarão muito longe dessa proporção", diz. Ainda assim, o valor está abaixo do estipulado pela Vivendi no ano passado. A companhia francesa queria 7 bilhões de euros. A oferta da Telefônica, válida até 3 de setembro, mas que pode ser prorrogada, equivale a 6,7 bilhões de euros.

A aquisição é estratégica para a Telefônica em diversos sentidos. O grupo, que lidera a telefonia móvel no país com a Vivo, se fortalece no mercado de telefonia fixa e internet banda larga, segmento em que ocupa a terceira posição no Brasil. Além disso, se protege do apetite de rivais, como a TIM, segunda maior operadora do setor. E, de quebra, ajuda a resolver o imbróglio envolvendo sua participação indireta na TIM do Brasil.

Em 2013, a Telefónica adquiriu 20% das ações sem direito a voto da Telco, que controla a Telecom Itália. Mas, para evitar problemas de concorrência com a presença simultânea da Telefónica em duas companhias no Brasil, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão antitruste brasileiro, determinou que o grupo espanhol deve se desfazer da participação da Vivo ou da TIM.

Ministro diz que operação em SP deve ficar de fora

Se for aprovada pelo conselho da Vivendi, a compra da GVT terá de ser aprovada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Para analistas, no entanto, não deve haver muitas restrições ao negócio por parte do Cade.

O ministro das Comu­nicações, Paulo Bernardo, afirmou que a Telefônica não poderá assumir as operações da GVT no estado de São Paulo, em uma eventual aquisição da companhia, por ser uma concessionária de telecomunicações.

Porém, nas outras regiões de atuação da GVT no Brasil, afirmou que "uma operação como essa não tem problema nenhum".

Segundo ele, o governo ficará atento ao andamento do negócio, que pode caracterizar uma "concentração de mercado".

Risco de demissão

Se a operação se concretizar é provável que ocorra uma forte redução da estrutura da GVT. "Onde houver sinergias, haverá cortes. Isso vale para funcionários, ativos e investimentos", diz Lucas Marins, analista da corretora Ativa. A GVT mantém uma estrutura pesada, com 18,6 mil funcionários, que fatalmente deve sofrer ajustes, na opinião do analista.

"A empresa optou por não terceirizar serviços, na tentativa de oferecer um padrão de atendimento mais premium, que garantiu qualidade, mas também representou gastos mais elevados", diz. A Telefônica atua com uma estratégia oposta, com uma central de serviços terceirizada. O comprador tende a priorizar a redução de gastos fixos e de investimentos em áreas menos estratégicas.

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