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Mercado de trabalho

Por que a crise econômica fez os jovens perderem mais renda de trabalho

  • 13/07/2020 16:27
Jovem brasileiro já tinha perdido renda no trabalho e a Covid-19 pode aumentar o problema
Jovem brasileiro já tinha perdido renda no trabalho e a Covid-19 pode aumentar o problema.| Foto: Mauro Pimentel/AFP

A recessão econômica que empacou o Brasil fez os indicadores de desemprego dispararem e a crise provocada pelo coronavírus agravou ainda mais a situação. Dados da Pnad Contínua, do IBGE, mostram que a taxa de desocupação no país no trimestre móvel de março a abril foi de 12,9% – são 12,7 milhões de pessoas sem trabalho — e a queda na informalidade é um fator negativo, que indica o desalento na busca por trabalho.

Dentro desse batalhão de afetados, há um grupo que acumulou mais perdas. Ainda como reflexo da recessão anterior, os jovens viram sua renda reduzir em um ritmo mais forte do que os demais grupos. A perda na renda é resultado de uma mistura de desemprego e precarização de postos de trabalho, que abarca até mesmo pessoas com nível de escolaridade mais elevada.

Com a pandemia, essa situação se agrava ainda mais. Levantamento feito pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que a Covid-19 causa um triplo choque na população jovem: destrói seu emprego, sua educação e treinamento, além de colocar mais obstáculos no caminho de quem quer entrar no mercado de trabalho ou mudar de emprego.

Segundo a organização, mais de um em cada seis jovens deixou de trabalhar desde o início da pandemia. Aqueles que mantiveram o emprego, tiveram redução de 23% nas horas trabalhadas, o que impacta a renda diretamente. "Os jovens constituem as grandes vítimas das consequências econômicas da pandemia, e existe o risco de que elas fiquem cicatrizadas em suas vidas profissionais, levando ao surgimento de uma 'geração lockdown'", diz o relatório da instituição.

O que aconteceu com a renda do jovem na última recessão

Um grupo de pesquisadores da FGV Social, coordenados pelo diretor do instituto, Marcelo Neri, se debruçou sobre microdados da Pnad Contínua, do IBGE, para estimar qual foi o impacto da crise na renda dos jovens, entre o quatro trimestre de 2014 e o segundo trimestre de 2019. Nesse período, a renda média do brasileiro contraiu 3,71%.

Mas a perda de renda acumulada foi muito mais acentuada entre os jovens, com mais ênfase nos mais novos. Adolescentes entre 15 e 19 anos viram a renda encolher 26,54%, na média. A perda registrada pelo grupo de pessoas entre 20 e 24 anos foi de 17,76%. Já no grupo com idades entre 25 e 29 anos, a retração da renda foi de 11,63%.

Ainda que tenha havido um quadro de retração de ganhos para todos os jovens, a desigualdade entre eles aumentou mais do que em outros grupos. Os pesquisadores analisaram que a perda de renda foi mais acentuada entre os analfabetos (-51,1%), moradores das regiões Nordeste (-23,58%) e Norte (-22,01%) e pessoas de cor parda (-16,4%) e preta (-8,35%).

Marcelo Neri, diretor da FGV Social, lembra que dentro desse período analisado pela equipe, a queda mais acentuada no rendimento ocorreu entre 2014 e 2017. Depois desse ano, o grupo de jovens “parou de perder” renda, mas a retração foi tão grande antes que não foi possível equilibrar a balança para reverter essa retração. O pesquisador ressalta que há tentativas de virar esse quadro, como o emprego Verde Amarelo, que estimula a contratação de jovens mediante desoneração da folha de pagamento, e até mesmo a reforma do ensino médio.

Trabalho dos jovens foi afetado antes da Covid

O revés sofrido no trabalho e renda dos jovens não foi uma exclusividade dos brasileiros. O movimento de desemprego em alta neste grupo já vinha sendo monitorado pela OIT. Em 2019, por exemplo, a taxa de desemprego juvenil era de 13,6% – maior do que qualquer outro grupo. A organização também detectou que as pessoas entre 15 e 24 anos que tinham emprego apresentavam maior chance de ocuparem vagas "piores", com remunerações ruins, informais ou mesmo como migrantes.

“A crise econômica da Covid-19 está afetando os jovens - especialmente as mulheres – com mais força e rapidez do que qualquer outro grupo. Se não tomarmos medidas imediatas e significativas para melhorar a sua situação, o legado do vírus poderá nos acompanhar durante décadas. Se seu talento e energia são marginalizados devido à falta de oportunidades ou à falta de habilidades, isso prejudicará o futuro de todos nós e tornará muito mais difícil reconstruir uma economia melhor pós-Covid ", declarou Guy Ryder, diretor-geral da OIT, quando a instituição divulgou sua análise de maio sobre a situação do emprego e pandemia no mundo.

Desemprego e precarização explicam trabalho mal remunerado

No Brasil, a perda de renda entre os mais jovens tinha duas causas principais, de acordo com Marcelo Neri: desemprego e precarização do trabalho. “É um processo que você até pode chamar de uberização, em um sentido mais amplo, porque não é um emprego intermitente, é um trabalho intermitente, com jornada variável”, observa. O efeito dessa precarização do trabalho sobre a renda é maior – representa uma queda de até 19% dos rendimentos, associado também a uma redução da jornada de trabalho.

Esses jovens tinham virado informais, os trabalhadores por conta própria – historicamente, essa era uma função mais associada a pessoas de meia-idade. E aí ocorre um fenômeno definido por Neri como curioso, porque parece ser uma boa notícia, mas na realidade não é. “A escolaridade dos jovens por conta própria aumenta muito, não porque eles tenham ido para escola, mas porque muita gente com bastante educação virou informal por sobrevivência”, aponta.

Impacto na escolaridade

Antes da Covid, o cenário de precarização, desemprego e redução da jornada acabou estimulando o jovem a voltar para a escola, porque não encontrou espaço no mercado. Mas aí ocorreu uma situação inesperada: a escolaridade aumentou, mas os salários seguiram caindo.

“A parte de educação profissional é uma coisa pouco enfatizada no Brasil em relação a outros países”, pontua. Uma solução que vem sendo aventada pelo governo federal é a de distribuir vouchers para cursos técnicos nas entidades do Sistema S. Para o pesquisador, a iniciativa é válida, desde que bem calibrado o tipo de curso que vale a pena investir – os retornos em cursos na área de saúde, por exemplo, são maiores do que na informática.

Mas a OIT também detectou que esse cenário pode mudar. "A crise da Covid-19 causou grandes perturbações com o fechamento de escolas, universidades e instituições de ensino técnico e profissional, com a interrupção da aprendizagem baseada no trabalho, como estágios", aponta.

O problema aqui será sentido no longo prazo. De acordo com a OIT, essa interrupção da educação e treinamento pode criar uma penalização ao longo da vida para jovens que serão forçados a abandonar os estudos.

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