Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Europa

Tratado para reforçar disciplina fiscal é aprovado por 25 países

As exceções foram Grã-Bretanha e República Tcheca. Acordo prevê "regras de ouro" sobre o equilíbrio das contas públicas

David Cameron, primeiro-ministro britânico: país não aderiu ao novo tratado | AFP PHOTO/JEAN-CHRISTOPHE VERHAEGEN
David Cameron, primeiro-ministro britânico: país não aderiu ao novo tratado (Foto: AFP PHOTO/JEAN-CHRISTOPHE VERHAEGEN)

Vinte e cinco dos 27 países da União Europeia, com exceção da Grã-Bretanha e da República Tcheca, aprovaram nesta segunda-feira (30) um novo tratado que reforça a disciplina fiscal comum, com a inclusão prevista de "regras de ouro" sobre o equilíbrio das contas públicas, segundo fontes diplomáticas.

A Grã-Bretanha e a República Tcheca decidiram não participar do pacto, que responde a uma exigência da chanceler alemã, Angela Merkel, em troca da solidariedade financeira de seu país com os Estados em dificuldades da Zona Euro.

O acordo de princípio foi possível pela aceitação de um compromisso entre a Polônia, de um lado, e a França, do outro, sobre um tema colateral: a participação nas reuniões de cúpula da Zona do Euro.

O assunto simbólico, mas politicamente sensível, vinha sendo objeto de controvérsia há várias semanas. Varsóvia, com o apoio de vários países de Europa do Leste, queria que os países que não possuem a moeda comum pudessem, também, estar presentes às conferências relacionadas ao euro. Paris não queria que essa participação fosse sistemática, até ser encontrada uma fórmula de compromisso intermediária.

O tratado fiscal deve ser assinado no começo de março.

O texto prevê que os países assinantes comprometam-se a manter em médio prazo seus "orçamentos equilibrados" ou "com superávit", ou seja, chegar a um déficit estrutural (sem contar as circunstâncias excepcionais do serviço da dívida) de, no máximo, 0,5% do PIB.

Cada Estado deverá prever por si próprio "um mecanismo automático de correção", no caso de qualquer desvio em relação a este objetivo, com a obrigação de adotar medidas corretivas de imediato.

O Tribunal de Justiça da UE verificará a observância dessas decisões, como parte da chamada regra de ouro. Poderá, por exemplo, impor multa de até 0,1% do PIB ao país infrator. A Alemanha queria ir mais longe - que o Tribunal punisse também os desvios da dívida dos países, mas acabou por desistir disso, pelo menos por enquanto.

O limite tolerado para os déficits públicos anuais no curto prazo continua sendo de 3% do PIB. Um país que violar esta regra ficará mais facilmente exposto a sanções quase automáticas.

A regra de ouro deverá ficar "preferentemente" inscrita na Constituição, para que seu valor jurídico não seja questionado de forma recorrente.

O texto foi criticado antes de sua assinatura pelo ministro finlandês das Relações Exteriores, Erkki Tuomioja, que o considerou "inútil e nocivo". A Comissão Europeia chegou a expressar com frequência irritação com este tratado, por considerar que seu conteúdo já está quase totalmente coberto pela legislação local.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.