Jacarezinho A queima da palha da cana-de-açúcar está liberada desde ontem no Norte Pioneiro. A autorização foi concedida através de liminar expedida pelo desembargador Thompson Flores Lenz, do Tribunal Regional Federal, com sede em Porto Alegre. O pedido havia sido protocolado no TRF pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep), depois que a Justiça Federal de Jacarezinho proibiu a queima a pedido do Ministério Público Federal, também através de liminar, no último dia 10.
De acordo com a assessoria de imprensa da Faep, com a decisão anterior, os produtores de cana-de-açúcar da região ficariam impedidos de fazer a queima da safra já neste ano. A queima da palha é considerada imprescindível antes do processo de colheita manual da cana-de-açúcar. Sem a queima, os riscos para a segurança dos trabalhadores são maiores, além de a produtividade da colheita também ser afetada, argumenta a Faep.
Segundo o presidente da Associação dos Plantadores de Cana-de-Açúcar do Paraná, Paulo José Buso, se a decisão não fosse revertida, os produtores e as usinas não teriam condições de completar o ciclo da colheita. "Sem a queima não teríamos tempo de tirar o produto da lavoura, o que aumentaria consideravelmente os custos. A cana perderia boa parte da capacidade de absorver o caldo", afirma. Atualmente o Norte Pioneiro tem uma área com cerca de 180 mil hectares ocupados com a cultura e abastece seis usinas da região.
A Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcopar) argumenta que, caso a proibição da queima valesse para todo o Estado, cerca de 80 mil trabalhadores teriam seus empregos ameaçados, já que as usinas se obrigam a apressar o processo de mecanização da colheita.
Uma portaria do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), publicada no dia 22 de fevereiro, autorizou o uso do fogo para limpar áreas de lavoura no Paraná. O documento suspendeu os efeitos de outra portaria, de julho do ano passado, que proibia a prática.
Restrição
Em algumas regiões do entorno de áreas de conservação, a autorização para as queimadas encontra restrições. É o caso do Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu. "Dificilmente o requerente vai conseguir nos convencer a emitir uma autorização para queimada na nossa região", afirma o chefe do escritório regional do IAP, Jéferson Luiz Lira.
A unidade do IAP em Foz compreende outros oito municípios, a maioria localizada no entorno do parque, margeado por propriedades rurais em quase toda extensão.



