
Em meio à explosão do mercado imobiliário, construtoras e incorporadoras preparam um volume recorde de lançamentos para os próximos dois anos em Curitiba. A projeção do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) é de que neste ano sejam aprovados alvarás para a construção de mais 3 milhões de metros quadrados residenciais com valor de venda de cerca de R$ 8,3 bilhões 41% acima do registrado em 2009.
Na prática, isso significa que o setor vai lançar em imóveis na capital um volume financeiro superior ao PIB de uma cidade como Londrina (R$ 7,9 bilhões), a segunda maior do estado. Serão cerca de 30 mil unidades residenciais, volume 17% superior ao do ano passado.
O otimismo do setor se ampara na combinação da oferta do crédito e no aumento do emprego, da renda e da confiança do comprador na manutenção das boas condições da economia para os próximos anos.
Mesmo com a disparada dos preços o metro quadrado aumentou entre 60% e 100% nos últimos quatro anos , as empresas acreditam que ainda há uma demanda ávida por novidades. Pelos cálculos de Marcos Kahtalian, da Brain Consultoria, Curitiba tem mercado para absorver entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões em lançamentos de imóveis por ano. "Somente a partir de meados de 2011, quando também deve ser entregue um número significativo de imóveis, é que saberemos se o mercado vai continuar crescendo nessas proporções", afirma.
Retomada
Para as empresas, 2010 consolida a retomada do setor imobiliário na cidade, iniciada há dois anos. "Desde então, o mercado vem crescendo rapidamente. Neste ano, o volume de lançamentos deve ser o dobro do de 2007", diz Luiz Augusto Brenner Rose, diretor de atendimento da empresa de intermediação imobiliária Lopes.
Passadas a Copa do Mundo e as eleições para o governo estadual, as empresas prometem descarregar no mercado um volume grande de empreendimentos na reta final de 2010. "Tradicionalmente o segundo semestre é muito mais forte do que o primeiro, por concentrar o pagamento do 13.º salário e das bonificações pagas pelas empresas", diz Gustavo Selig, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi).
O número de lançamentos será maior também porque o mercado "deu uma parada" entre março e julho, por conta do descolamento dos preços dos terrenos e dos imóveis usados, segundo o presidente do Sinduscon, Hamilton Pinheiro Franck. "Os terrenos subiram muito e alguns negócios deixaram de ser realizados. Por outro lado, o cliente que queria comprar um imóvel achava que seu usado valia mais do que na realidade. O mercado passou por uma desordenação", diz. O alto volume de pedidos também tornou mais lenta a aprovação de alvarás pela prefeitura, segundo Gerson Carlos da Silva, diretor-geral da Galvão Vendas. Neste fim de ano, a empresa lançará 20 empreendimentos o dobro do restante do ano , estimados em R$ 800 milhões.



